O Assaí Atacadista apresentou um sólido desempenho financeiro no segundo trimestre de 2026, alcançando um lucro líquido recorrente de R$ 344 milhões, o que representa um crescimento de 93,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Além desse indicador, o lucro líquido contábil totalizou R$ 537 milhões, um avanço de 103,4% na mesma base de comparação, refletindo melhorias significativas na rentabilidade da companhia.
Apesar do crescimento expressivo nos lucros, o Ebitda ajustado, que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou praticamente estável em R$ 1 bilhão, com uma leve queda de 0,7% em relação ao segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda manteve-se próxima de sua posição anterior, fechando em 5,6%, ante 5,7% no mesmo período do ano passado, indicando uma estabilidade na eficiência operacional da rede de atacarejo.
A receita líquida do Assaí atingiu R$ 19,175 bilhões, apresentando um crescimento de 0,9% na comparação anual. Já a receita bruta, que considera o valor total das vendas antes de deduções, subiu 2,4%, alcançando R$ 21,382 bilhões. As vendas em mesmas lojas, consideradas para avaliar o desempenho da rede consolidada, cresceram 0,9%, excluindo o efeito calendário, que representou uma redução de 1,4 ponto porcentual devido ao impacto da Copa do Mundo, que também influenciou o resultado comercial da companhia.
Segundo o diretor financeiro do Assaí, Rafael Sachete, a diferença entre o crescimento das receitas bruta e líquida reflete, em parte, mudanças no regime de substituição tributária (ST) em São Paulo, estado que responde por quase 40% das vendas da rede. A realização da Copa do Mundo também impactou o desempenho, com uma redução de aproximadamente 1 ponto porcentual nas vendas de mesmas lojas, devido à menor propensão de compras de abastecimento e ao encerramento antecipado de lojas nos dias de jogos.
Por outro lado, o fluxo mensal de clientes cresceu 3,4%, superando 40 milhões de consumidores, enquanto a participação de mercado da companhia na análise de mesmas lojas aumentou 0,3 ponto porcentual. Sachete destacou que, apesar da melhora discreta na economia, o consumidor ainda enfrenta pressão financeira, concentrando suas compras no início do mês e optando por produtos de menor preço. Ele afirmou que, embora haja sinais de recuperação, o cenário permanece delicado e de difícil previsão.
No aspecto financeiro, o resultado líquido negativo foi de R$ 421 milhões, uma melhora de 25,5% frente aos R$ 565 milhões negativos registrados no segundo trimestre de 2025. Essa redução deve-se, principalmente, à diminuição da dívida e aos custos menores com a antecipação de recebíveis. O executivo também mencionou que o Assaí começou a se beneficiar da redução das taxas de juros, sendo que aproximadamente R$ 70 milhões dessa melhora decorreu da atualização de créditos tributários.
A alavancagem financeira da companhia, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA, caiu de 3,17 vezes no mesmo período do ano passado para 2,37 vezes ao final de junho, enquanto a dívida líquida, descontados os recebíveis, recuou R$ 1,385 bilhão em 12 meses, atingindo R$ 12,399 bilhões. A estratégia da empresa permanece focada na redução do endividamento, com a expectativa de manter esse indicador abaixo de duas vezes ao final do ano. Além disso, o Assaí apresenta uma posição de liquidez confortável, com disponibilidade total de caixa de R$ 7 bilhões ao encerramento do trimestre, aumento de 20,9% em relação ao mesmo período de 2025, e não prevê captações de recursos nos próximos dois anos.