O Mercado Livre, maior plataforma de comércio eletrônico da América Latina, divulgou nesta quarta-feira (5) seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2024, apresentando uma queda de aproximadamente 11% no lucro líquido em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da redução, a companhia superou as projeções de analistas, atingindo uma receita recorde e demonstrando crescimento no número de clientes ativos em seus principais negócios.
De acordo com o relatório divulgado, o lucro líquido do Mercado Livre no trimestre encerrado em junho foi de US$ 466 milhões, ante US$ 433 milhões previstos por especialistas consultados pela London Stock Exchange Group (LSEG). Essa performance representa uma terceira queda consecutiva no resultado líquido, reflexo dos investimentos feitos em estratégias de expansão, como o fortalecimento do serviço de frete grátis no Brasil, iniciado em meados do ano passado, além de provisões relacionadas à ampliação da emissão de cartões de crédito.
Leandro Cuccioli, vice-presidente sênior de relações com investidores da empresa, explicou em entrevista à Reuters que o aumento nos investimentos impactou temporariamente as margens de lucro, mas que esses esforços estão gerando resultados positivos. Ele destacou que o número de usuários ativos, tanto na plataforma de comércio eletrônico quanto na fintech Mercado Pago, cresceu 37% no trimestre, uma expansão significativa frente ao crescimento de 20% a 30% registrado no mesmo período do ano passado. Segundo Cuccioli, esses clientes mais engajados realizam um volume maior de transações, contribuindo para maior lucratividade no médio e longo prazo.
A receita líquida do Mercado Livre atingiu US$ 10,2 bilhões, um aumento de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando o maior valor registrado nos últimos quatro anos. O crescimento superou as expectativas do mercado, que estimava US$ 9,7 bilhões. O volume bruto de mercadorias (GMV), indicador que mede o total de vendas processadas na plataforma, cresceu 36% em base neutra de câmbio, reforçando o fortalecimento do comércio na região.
Por outro lado, o resultado operacional, conhecido como EBITDA ou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, foi de US$ 683 milhões, uma queda de aproximadamente 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas ligeiramente acima dos US$ 658 milhões previstos pelos analistas. A margem EBIT, que indica a eficiência operacional da companhia, recuou para 6,7%, frente a 12,2% no ano passado e 6,9% no primeiro trimestre de 2024, refletindo o impacto dos investimentos de longo prazo na composição dos resultados.
Nos últimos trimestres, o Mercado Livre tem apresentado uma tendência de crescimento sequencial na receita, porém com margens mais comprimidas, consequência de uma estratégia de reinvestimento contínuo em áreas como frete grátis, expansão internacional, emissão de cartões de crédito e fortalecimento do negócio de fintech. Cuccioli reforçou que esses investimentos estão contribuindo para a alavancagem operacional da companhia, além de consolidar sua presença na região.
A carteira de crédito da empresa atingiu aproximadamente US$ 16 bilhões, com um crescimento de 75% em dólares, impulsionada principalmente pelos cartões de crédito emitidos. A taxa de inadimplência, referente a atrasos de 15 a 90 dias, ficou em 7%, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao ano anterior, mas uma redução de 1 ponto percentual em comparação ao primeiro trimestre. Ainda, o volume total processado pelo negócio de adquirência cresceu 42% em relação ao mesmo período do ano passado, demonstrando a expansão contínua do segmento financeiro do Mercado Livre.