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‘Perdi o controle’: O que levou Ney Matogrosso às lágrimas ao assistir à cinebiografia

Ney Matogrosso, aos 83 anos, compartilhou que não planeja nem revisitar sua trajetória ao ver a cinebiografia “Homem com H”, que estreou recentemente nos cinemas. “Já é tarde para reavaliar qualquer coisa”, declarou ele durante uma conversa com jornalistas, na qual a equipe do Splash estava presente.

Apesar de não pretender fazer essa reflexão, o artista admitiu que foi profundamente tocado pelo filme, a ponto de se emocionar. “Existem três livros sobre mim, mas ler é uma coisa e ver é completamente diferente. Quando assisti pela primeira vez, fiquei muito impactado. Não esperava, porque sou uma pessoa reservada e rígida. Mas, na primeira vez, eu realmente me deixei levar”, contou.

Ney destacou dois momentos marcantes, ambos relacionados a Marco de Maria, seu parceiro que faleceu nos anos 1990. O primeiro ocorreu durante uma cena em que Ney revela o resultado negativo de seu teste de HIV, após o teste positivo do companheiro. O segundo momento foi durante a exibição do filme, em uma cena com Marco em que toca a música “Pedra de Rio”, de sua autoria. “Na primeira exibição, eu perdi o controle. Na segunda vez, assistindo com Jesuíta Barbosa, que me interpreta, eu já estava preparado e fiquei comendo pipoca enquanto todos ao meu redor choravam”, brincou.

O artista também refletiu sobre seu medo de rejeição, especialmente do público feminino, no início de sua carreira. “Tinha receio de ser rejeitado por elas. Não queria ser desaprovado por quem eu sou. Mas nunca me escondi. Sempre fui autêntico”, disse. Uma lembrança curiosa ilustra essa relação: “Uma vez, ao chegar no Teatro Ipanema para a estreia de ‘Bandido’, uma senhora me disse: ‘Então é você que está enlouquecendo as mulheres?'”

Ney achava isso maravilhoso e lembrou que tinha uma bisavó que, mesmo com mais de 90 anos, fugia para vê-lo se apresentar e dançava na sua frente. “Sempre soube que meu trabalho tocava as pessoas”, afirmou. A cinebiografia, mais do que um registro histórico, se tornou um reflexo inesperado para Ney. “O que se vê é muito mais intenso do que o que se lê”, resumiu. E, para um homem que se considera “duro”, suas lágrimas foram a prova de que algumas histórias — até as mais pessoais — são grandes demais para serem contidas.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade