Uma análise recente do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 revelou que 30% dos estudantes de medicina foram classificados com notas críticas e insuficientes. A chamada “OAB da Medicina” volta a ser discutida em razão de resultados alarmantes. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) estão considerando a possibilidade de impedir que 13 mil estudantes que não alcançaram a pontuação mínima de 2 — estabelecida pela metodologia do MEC — venham a exercer a profissão.
Esse exame, que avalia tanto o desempenho dos alunos quanto a qualidade dos cursos de medicina no Brasil, expõe uma situação preocupante: 3 em cada 10 alunos do último ano do curso foram considerados com desempenho crítico. A AMB defende que esses resultados evidenciam a necessidade de um exame de proficiência médica como pré-requisito para a prática médica. “Em termos mais diretos, caso os graduados dos cursos de medicina não demonstrem proficiência, o CRM (Conselho Regional de Medicina) não poderá conceder o registro profissional, o que os impediria de atender pacientes”, afirmam representantes da entidade.
Além dos alunos, as instituições de ensino também foram avaliadas negativamente, com o Ministério da Educação (MEC) identificando 107 faculdades de medicina em níveis críticos e insuficientes em relação à qualidade da educação, enquanto 80 outras apenas cumpriram critérios mínimos aceitáveis.
“Quando mais de um terço dos formandos em medicina obtêm resultados considerados insuficientes pelo MEC, estamos enfrentando um problema estrutural extremamente grave. São mais de 13 mil novos médicos que receberão diplomas e registros para atender a população sem as competências necessárias para exercer a profissão. Isso é alarmante e representa um risco à saúde e segurança de milhões de brasileiros”, alerta José Hiran Gallo, presidente do CFM.
O conselho defende que todos os cursos de medicina em operação no país devem, ao menos, atingir a nota 4 — o que significa que pelo menos 75% dos alunos devem apresentar um desempenho considerado bom, conforme a metodologia do MEC.