O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou nesta sexta-feira (9) que seu governo “não recuará” diante dos protestos que tomam conta do país há quase duas semanas. Em seu discurso, Khamenei acusou os manifestantes de estarem agindo para “satisfazer” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Este foi o primeiro pronunciamento de Khamenei desde que os protestos se intensificaram no início de 2026. Durante a transmissão ao vivo pela TV estatal, ele chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”. “Na noite passada, em Teerã, um grupo de arruaceiros destruiu um edifício que pertencia ao Estado e ao povo, apenas para agradar o presidente dos EUA”, afirmou Khamenei, acrescentando que os manifestantes estavam “destruindo suas próprias ruas para satisfazer o líder de outro país”. Ele ainda aconselhou Trump a “cuidar de seu próprio país”.
Os protestos começaram no final de dezembro em Teerã, motivados por uma crise econômica severa — a moeda iraniana, o rial, perdeu metade de seu valor em relação ao dólar no ano anterior, e a inflação ultrapassou 40% em dezembro. Com o aumento da repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia de Khamenei.
Essas manifestações se tornaram as maiores contra o governo iraniano desde 2009, com relatos de protestos em 25 das 31 províncias do país, segundo a agência de notícias AFP. Até agora, mais de 40 pessoas, incluindo membros das forças de segurança, foram registradas como vítimas, embora o número real possa ser maior devido a restrições na liberdade de informação no país.
Os tumultos também intensificaram as já tensas relações entre os EUA e o Irã. Trump declarou que não tolerará a morte de manifestantes pelas mãos do regime de Khamenei e que “responderá de forma severa” se isso ocorrer. Khamenei, por sua vez, chamou o presidente americano de “arrogante” e afirmou que suas ações tinham “manchado suas mãos com o sangue de mais de mil iranianos”, referindo-se aos bombardeios realizados contra instalações nucleares em 2025.
Na quinta-feira, os protestos ganharam novos contornos após Khamenei implementar um apagão na internet e nas redes telefônicas na tentativa de sufocar as manifestações. A quarta-feira foi marcada como o “dia mais violento” até agora, com a morte de 13 manifestantes.
Nesta fase crítica dos protestos, que já se estendem por 12 dias, a repressão contra os opositores do regime se intensificou. O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a situação, afirmando que deixou claro que, caso o Irã começasse a matar pessoas— o que, segundo ele, costuma ocorrer durante os distúrbios —, o país enfrentaria severas consequências.
Os protestos irromperam em 28 de dezembro, quando comerciantes em Teerã se mobilizaram contra o aumento dos preços e a desvalorização da moeda local, o que rapidamente se espalhou por outras cidades, abrangendo uma gama maior de reivindicações. Atualmente, as manifestações se alastraram por 25 das 31 províncias do Irã, resultando em dezenas de mortes, incluindo de membros das forças de segurança.
Imagens postadas na rede social X mostram grandes aglomerações nas ruas, com manifestantes gritando slogans como “é a batalha final, Pahlavi voltará”, em referência à dinastia deposta pela Revolução Islâmica de 1979, e “Seyyed Ali será destituído”, aludindo ao líder supremo Ali Khamenei, que está no poder desde 1989.
O Irã está enfrentando um apagão de internet em todo o país, conforme informou a ONG de monitoramento de segurança cibernética Netblocks. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reiterou nesta quinta-feira a necessidade de “máxima moderação” perante os manifestantes e a importância do “diálogo” e da escuta às “demandas do povo”.
A quarta-feira foi particularmente violenta, com a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, reportando ao menos 45 mortos, incluindo oito menores. Com centenas de feridos e mais de dois mil detidos, os protestos atuais são os mais significativos desde aqueles que se seguiram à morte da jovem Mahsa Amini, em 2022, que havia sido presa por violar as rigorosas normas de vestuário feminino.