A produção da plataforma P-68 da Petrobras, localizada no pré-sal da Bacia de Santos, foi interrompida na última sexta-feira (19) em decorrência de um princípio de incêndio que ocorreu no painel da unidade de tratamento de água. O fogo foi contido rapidamente, conforme comunicado divulgado pela empresa.
A plataforma, que opera sob o modelo FPSO nos campos de Berbigão e Sururu, alcançou uma produção de 129,7 mil barris por dia em outubro, consolidando-se como uma das principais unidades produtoras do Brasil. A Petrobras assegurou que o incidente foi controlado sem causar danos ao meio ambiente, às instalações da plataforma ou à segurança dos trabalhadores, utilizando um extintor portátil para apagá-lo.
No mesmo comunicado, a estatal esclareceu que o ocorrido não tem relação com a greve dos trabalhadores, que começou na segunda-feira e conta com a adesão de funcionários de todas as plataformas operadas pela companhia nas bacias de Santos e Campos. Em resposta à greve, a Petrobras mobilizou equipes de contingência em vários locais para assegurar a continuidade das operações.
O Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP) classificou a situação como séria, ressaltando os riscos de permitir que unidades operacionais sejam geridas por trabalhadores sem a devida capacitação e por equipes de contingência que não foram acordadas com o sindicato. O coordenador-geral do Sindipetro-LP, Márcio André da Silva, comentou que o incidente poderia ter sido evitado com uma manutenção adequada do equipamento, alegando que a falta de foco na manutenção em prol da produção pode ter contribuído para o incêndio. Ele afirmou que existe uma relação direta com a greve, mas não de causa e efeito.
Este incidente se soma a um vazamento de gás que ocorreu na quinta-feira, resultando na interrupção da produção da plataforma P-40, também da Petrobras, na Bacia de Campos. Em 2023, a P-40 produziu em média 18.328 barris de petróleo por dia e 351 milhões de m³ de gás natural, conforme dados da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa 13 sindicatos da categoria.
A greve dos petroleiros não se limita apenas às plataformas, mas também atinge refinarias, termelétricas, usinas de biodiesel, campos de produção terrestre e unidades de tratamento e compressão de gás, entre outros locais, de acordo com informações dos sindicatos. O movimento é impulsionado pela falta de progresso nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e pela ausência de respostas por parte da Petrobras a demandas históricas da categoria, como o encerramento dos equacionamentos dos déficits da Petros (PEDs) e a recuperação de direitos trabalhistas.