O autoexame das mamas é uma importante prática de autocuidado que pode impactar significativamente a saúde de muitas mulheres. De fácil execução, rápido e podendo ser realizado no conforto do lar, consiste em examinar visualmente e ao toque as mamas para detectar quaisquer alterações.
A recomendação é que esse exame seja feito mensalmente, preferencialmente alguns dias após o ciclo menstrual, momento em que os seios estão menos sensíveis. Para aquelas que não menstruam mais, é aconselhável escolher um dia fixo do mês para garantir uma rotina.
Durante o autoexame, deve-se ficar atenta a nódulos, secreções, alterações na pele, mudanças na forma da mama ou do mamilo. De acordo com o INCA, aproximadamente 65% dos casos de câncer de mama são inicialmente identificados pelas próprias mulheres ao notarem alguma mudança em seus corpos.
É fundamental destacar que, apesar da importância do autoexame, ele não deve ser considerado um substituto para a mamografia, que permanece como o método mais eficaz para a detecção precoce da doença. O autoexame deve ser encarado como uma ferramenta de autoconhecimento, encorajando as mulheres a buscar atendimento médico sempre que perceberem algo incomum.
Além de contribuir para a saúde física, essa prática também promove o empoderamento feminino, incentivando cada mulher a assumir um papel ativo no cuidado com sua própria saúde. Informação e ação podem, de fato, salvar vidas.
Mamografia no SUS
Em outro aspecto, o Ministério da Saúde anunciou uma mudança significativa na política nacional de rastreamento do câncer de mama: agora, mulheres entre 40 e 49 anos poderão realizar mamografias no Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo na ausência de sintomas, mediante avaliação conjunta com um profissional de saúde. Essa medida elimina barreiras que dificultavam o acesso a esse exame para essa faixa etária, alinhando o Brasil às recomendações das principais sociedades médicas globais.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) considera essa decisão uma grande conquista para a saúde das mulheres no Brasil. Desde 2008, a entidade defende que o rastreamento mamográfico comece aos 40 anos, com frequência anual, embasado por evidências científicas e pela realidade epidemiológica do país.
“Há anos a SBM luta para que as brasileiras tenham acesso ao rastreamento precoce a partir dos 40 anos. Aproximadamente 40% dos casos de câncer de mama são diagnosticados entre 40 e 50 anos, o que evidencia o potencial dessa decisão em salvar vidas. Essa é uma vitória da sociedade como um todo e fruto de um esforço contínuo de conscientização junto ao governo”, afirma Tufi Hassan, presidente da SBM.
Anteriormente, o protocolo nacional de rastreamento recomendava a mamografia apenas para mulheres de 50 a 69 anos, com realização a cada dois anos, independentemente de histórico familiar ou sintomas. Com as novas diretrizes do Ministério da Saúde, as seguintes orientações passam a vigorar:
– Mulheres de 40 a 49 anos: terão direito ao exame, a partir de uma decisão em conjunto com um profissional de saúde, mesmo sem sinais ou sintomas.
– Faixa de 50 a 74 anos: permanece com rastreamento regular a cada dois anos, agora estendendo a faixa etária até os 74 anos.
– Acima de 74 anos: a indicação será individualizada, levando em conta o histórico clínico e a expectativa de vida.
De acordo com o Ministério, a ampliação do acesso para a faixa etária de 40 a 49 anos e a extensão até os 74 anos representam um convite para que mais mulheres realizem exames regularmente, fortalecendo a detecção precoce da doença.