Após uma série de recordes nas semanas anteriores, o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia em baixa nesta terça-feira (16), fechando abaixo dos 160 mil pontos. A queda foi de 2,40%, resultando em 158.578 pontos. O dólar, por sua vez, teve um aumento de 0,73%, com a cotação a R$ 5,4624.
No cenário brasileiro, a pesquisa de intenção de voto da Quaest foi o destaque do dia, revelando que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera em todos os cenários de primeiro e segundo turno para a eleição presidencial de 2026. No segundo turno, Lula conta com 46% das intenções, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) possui 36%. Contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), os números são de 45% a 35% em favor de Lula.
Além disso, a ata do Copom publicada nesta terça-feira destacou a expectativa de juros elevados por um período prolongado no Brasil. O documento indicou uma desaceleração nas atividades econômicas e uma queda na inflação, mas não forneceu um cronograma para a possível redução da taxa básica, a Selic. Segundo Lauro Sawamura Kubo, gestor de fundos da Patagônia Capital, “existe uma preocupação com a inflação, visto que ainda não há certeza de que os índices de longo prazo estão diminuindo, e o mercado de trabalho permanece aquecido, sem sinais de esfriamento”.
Nos Estados Unidos, um relatório de empregos mais robusto do que o esperado diminuiu as expectativas de cortes nas taxas de juros em janeiro. O payroll apontou a criação de 64 mil novas vagas em novembro, superando a previsão de cerca de 50 mil postos, após uma queda significativa em outubro.
A seguir, um resumo de como esses fatores impactam o mercado:
💲Dólar
– Acumulado da semana: +0,96%
– Acumulado do mês: +2,39%
– Acumulado do ano: -11,61%
📈Ibovespa
– Acumulado da semana: -1,36%
– Acumulado do mês: -0,31%
– Acumulado do ano: +31,84%
A pesquisa Quaest também trouxe uma expectativa negativa para a Bolsa brasileira, provocando preocupações entre os investidores. A divulgação da pesquisa, que fortalece o atual governo e revela uma oposição fragmentada, gerou uma reação negativa no mercado.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, explicou que muitos investidores optaram por vender ações, exigindo juros mais altos para a compra de títulos do governo e buscando proteção no dólar.
Em relação ao aspecto econômico, a ata do Copom trouxe um recado claro sobre a permanência de juros elevados por mais tempo, frustrando as expectativas de que cortes começariam já no início de 2026. Milene Dellatore, especialista em investimentos, ressaltou que a queda da bolsa não foi um evento aleatório, mas sim uma reavaliação racional das expectativas, principalmente em função da ata do Copom.
Na ata, o Banco Central indicou que a economia brasileira está desacelerando gradualmente e que a inflação atual e suas projeções estão em declínio. Embora isso possa abrir espaço para cortes de juros no futuro, a curto prazo, não há indicações de que isso ocorrerá.
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, pela quarta vez consecutiva. A ata não estabeleceu um prazo para a redução das taxas e enfatizou que o Banco Central permanecerá atento à situação, podendo até aumentar as taxas se necessário.
O esfriamento da economia é parte da estratégia para controlar a inflação, com dados recentes indicando um crescimento mais lento do PIB e uma desaceleração no consumo das famílias, o que é considerado essencial para aliviar a pressão sobre os preços, especialmente nos serviços.
Leonel Mattos, analista da StoneX, apontou que a alta do desemprego nos EUA não se deve a um aumento nas demissões, mas sim ao retorno de mais pessoas ao mercado de trabalho, situação que as empresas ainda não conseguiram acompanhar.
Quanto às vendas no varejo americano, os dados de outubro mostraram estagnação, com os consumidores enfrentando preços elevados em vários produtos, o que impacta diretamente no orçamento das famílias.
Nos mercados globais, índices de Wall Street abriram em queda, refletindo sinais de desaceleração na economia americana. As bolsas europeias tiveram leve alta, impulsionadas por ganhos em setores como financeiro e de saúde, enquanto o setor tecnológico limitou o avanço. Já os mercados asiáticos fecharam em baixa, pressionados pela incerteza antes da divulgação de dados econômicos dos EUA.