Na última segunda-feira (15), o Ministério das Relações Exteriores de Trinidad e Tobago anunciou que permitirá o trânsito de aeronaves militares dos Estados Unidos em seus aeroportos nas próximas semanas.
Em um comunicado, o ministério expressou seu compromisso com a colaboração com os EUA em questões de segurança regional. De acordo com informações do governo americano, a movimentação das aeronaves faz parte de um planejamento logístico.
Essa movimentação ocorre em um contexto de tensão entre os EUA e a Venezuela. Desde o início da mobilização militar no Caribe, a administração Trump afirma que suas ações visam combater o tráfico de drogas na região. No entanto, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, considera que a luta contra o tráfico é apenas um pretexto para uma possível agressão ao seu país, com o intuito de desestabilizar o governo chavista. Trump já mencionou publicamente que poderia realizar ataques a alvos em terra na Venezuela.
Trinidad e Tobago, situada no sul do Caribe e a poucos quilômetros da costa venezuelana, possui sua maior ilha separada do continente pelo Canal de Colombo, que tem apenas 14 km de largura em seu ponto mais estreito. Nos últimos meses, os EUA têm posicionado um grande arsenal militar no Mar do Caribe, próximo à costa da Venezuela, incluindo porta-aviões, caças e dezenas de milhares de soldados. Desde setembro, Washington tem realizado operações contra embarcações no Caribe e no Pacífico, que supostamente transportam drogas destinadas ao mercado americano.
Nesta segunda-feira, a Venezuela acusou Trinidad e Tobago de colaborar no “roubo” de um navio carregado com petróleo venezuelano que foi apreendido pelos EUA na semana passada.
Esse episódio marca um desdobramento inédito nas operações militares da administração Trump ao redor da costa venezuelana, sendo a primeira vez que o governo americano utiliza força para assumir um navio petroleiro da Venezuela. Até então, as ações militares dos EUA no Caribe tinham se limitado a atacar embarcações menores, que Washington alega serem de traficantes de drogas.
A apreensão deste navio, que representa o principal ativo da economia venezuelana, levantou questões sobre a possibilidade de ser considerado um ato de guerra. A Casa Branca anunciou a intenção de levar o navio para os EUA e apreender seu petróleo.
O governo de Nicolás Maduro declarou que “defenderá sua soberania, seus recursos naturais e sua dignidade nacional com total determinação” e que planeja denunciar a apreensão do petroleiro às instituições internacionais.