O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira, 16 de outubro, que os efeitos das mudanças climáticas configuram uma crise de saúde pública tanto no Brasil quanto globalmente. Durante uma coletiva de imprensa, Padilha destacou a urgência de adaptar os sistemas de saúde para lidar com os impactos decorrentes do aquecimento global, enfatizando a importância de ações preventivas e de vigilância contínua.
Segundo o ministro, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que aproximadamente 25% das mortes registradas em todo o mundo estão relacionadas, de alguma forma, às mudanças climáticas. Essa estatística reforça a gravidade do fenômeno e sua influência direta na saúde da população. Padilha também trouxe à tona a expansão do vetor Aedes aegypti, conhecido por transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya, que já foi registrada no Reino Unido. Essa situação evidencia o avanço do mosquito para regiões anteriormente consideradas de risco menor, impulsionado pelo aumento das temperaturas médias globais.
O ministro destacou que o aumento da temperatura média no Brasil favorece a proliferação do Aedes aegypti em novas áreas, incluindo o Sul do país, onde a presença do vetor era praticamente inexistente até recentemente. Como exemplo, ele citou o Rio Grande do Sul, que passou a registrar casos de dengue, doença que até então tinha baixa incidência na região. Além disso, Padilha alertou para o crescimento de doenças crônicas, especialmente cardiovasculares, agravadas por ondas de calor extremo que vêm se tornando mais frequentes e intensas.
Questionado sobre a preparação do sistema de saúde para eventos climáticos extremos, como as graves inundações ocorridas em Porto Alegre e outras regiões do Rio Grande do Sul em 2024, Padilha avaliou que o Brasil está mais preparado atualmente do que no passado. No entanto, ele ressaltou que o cuidado deve permanecer constante, reforçando a necessidade de manter o estado de alerta e vigilância em todas as regiões do país, não apenas na região Sul.
Dados do Ministério da Saúde indicam que os efeitos do fenômeno El Niño devem ser mais intensos no Brasil a partir de novembro de 2026, com previsão de duração que se estenderá pelo menos até março de 2027. O secretário-executivo adjunto do ministério, Nilton Pereira, alertou que o El Niño atual é considerado muito forte, podendo alcançar o nível mais intenso já registrado na série histórica, o que reforça a importância de ações preventivas e de preparação do sistema de saúde para lidar com as consequências climáticas.