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Especialistas apontam 5 hábitos que agravam a enxaqueca

Viktor Cvetkovic/Getty Images

A enxaqueca é uma das condições neurológicas mais debilitantes em todo o mundo e pode ser exacerbada por práticas cotidianas. Embora os gatilhos variem entre os pacientes, profissionais da saúde indicam que certos comportamentos elevam consideravelmente o risco de episódios de dor.

Neurologistas consultados pelo Metrópoles afirmam que pequenas alterações na rotina podem contribuir para a diminuição tanto da frequência quanto da intensidade das dores de cabeça. Dormir mal ou em horários irregulares é um dos fatores mais comuns que podem desencadear enxaquecas. Tanto a falta quanto o excesso de sono estão associados a crises.

De acordo com o neurologista Felipe Barros, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, certas áreas do cérebro regulam tanto o sono quanto a dor. “Um padrão de sono irregular é um gatilho forte para as crises. Isso se deve ao fato de que o hipotálamo, que controla o ritmo circadiano, também está conectado às vias de dor no cérebro”, esclarece.

A neurologista Talísia Vianez, do Instituto Senescer, em Manaus, ressalta que a qualidade do sono é tão crucial quanto a quantidade de horas dormidas. “Um sono de má qualidade é um fator relevante para o surgimento da enxaqueca. O ideal é estabelecer uma rotina consistente de horários para dormir e acordar, evitando compensar o sono perdido nos finais de semana”, afirma.

Outro comportamento que pode elevar o risco de crises é pular refeições, pois a diminuição dos níveis de glicose no sangue gera um tipo de estresse metabólico. A hipoglicemia provoca a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina, ativando o sistema nervoso simpático e tornando as áreas do cérebro relacionadas à enxaqueca mais sensíveis.

A ausência de glicose representa um estresse para o cérebro, dificultando a produção de energia e potencializando o risco de uma crise. Embora analgésicos sejam utilizados para alívio da dor, o uso frequente pode ter o efeito oposto, transformando enxaquecas episódicas em crônicas.

“Esse fenômeno pode ocorrer quando analgésicos simples são utilizados por 15 dias ou mais em um mês ou medicamentos específicos por mais de 10 dias mensais durante um período de três meses”, explica Barros. Vianez acrescenta que essa condição recebe um diagnóstico particular. “Denominamos isso de cefaleia por uso excessivo de medicação. Após cerca de três meses de uso contínuo, o cérebro pode se tornar mais sensível à dor, levando a crises mais frequentes”, comenta.

O estresse figura entre os principais elementos que agravam a enxaqueca. Ele pode atuar tanto como uma causa direta quanto como um facilitador, tornando o cérebro mais hiperexcitável e suscetível a outros gatilhos. Há também a denominada enxaqueca do relaxamento, que ocorre após um longo período de estresse.

O estresse crônico mantém o organismo em estado de alerta por um tempo prolongado, o que pode facilitar a transição para uma enxaqueca crônica, que geralmente é mais desafiadora de tratar. A cafeína pode ter efeitos variados em quem sofre de enxaqueca, dependendo da quantidade e da regularidade do seu consumo.

Durante uma crise, a cafeína pode auxiliar no alívio da dor, uma vez que possui efeito vasoconstritor e potencializa a eficácia de certos analgésicos. No entanto, o consumo excessivo ou mudanças bruscas na ingestão são gatilhos bem conhecidos.

O neurologista Heitor Lima, que atende em Brasília, enfatiza que alterações abruptas nos hábitos podem precipitar crises. Apesar de agravar a dor durante um episódio, a prática regular de atividade física pode ajudar a diminuir a frequência das enxaquecas. Exercícios frequentes ajudam a regular o sono, reduzir o estresse e liberar endorfinas, o que, por sua vez, minimiza a intensidade e a frequência das crises.

Para os especialistas, identificar os gatilhos individuais e adotar hábitos saudáveis são etapas fundamentais para controlar a enxaqueca e melhorar a qualidade de vida.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade