O famoso reality show Big Brother Brasil quase foi incorporado à grade de programação do SBT, de Silvio Santos, que morreu em 2024. A negociação, que envolveu contatos diretos com a Endemol e uma equipe enviada à Holanda para finalizar o acordo com John de Mol, criador do formato, foi interrompida pelo próprio Silvio Santos após a leitura de uma espécie de manual de orientações para a produção do programa, conhecido como “bíblia”. Essa informação foi revelada pelo ex-diretor da Globo, Boninho, durante participação no programa Sem Censura, exibido na TV Brasil na última sexta-feira (18).
De acordo com Boninho, Silvio Santos iniciou as tratativas com a Endemol, produtora responsável pelo formato original do reality, e enviou uma equipe do SBT à Holanda com o objetivo de concretizar a aquisição. Antes de assinar o contrato, porém, o empresário ligou para a equipe brasileira e questionou se o acordo já havia sido fechado. Ao receber a confirmação de que ainda não, Silvio Santos teria determinado o retorno dos profissionais ao Brasil, afirmando que, após ter lido o manual, decidiria fazer o programa por conta própria, sem pagar qualquer valor à produtora.
Segundo Boninho, essa decisão de Silvio Santos influenciou a criação de um projeto próprio do SBT, a Casa dos Artistas, lançado em 2001. O diretor explicou que Silvio comprou uma casa vizinha à residência onde havia sido sequestrado — um episódio marcante na história do apresentador — e montou um estúdio no local, sem revelar publicamente qual seria a finalidade do espaço. A reação de John de Mol, criador do formato internacional do reality, diante do episódio envolvendo Silvio Santos, teria sido de frustração, com o relato de que “o cara veio aqui, roubou o meu formato”.
Boninho, no entanto, contestou essa interpretação, sugerindo que Silvio Santos não teria roubado o formato, mas sim se inspirado nele. Ele afirmou que a expressão usada por John de Mol foi exagerada e que, na verdade, Silvio apenas “pegou emprestado” a ideia, criando sua própria versão do programa.
Com a desistência do SBT, a Globo foi a emissora que adquiriu os direitos do Big Brother Brasil na época. Segundo Boninho, a negociação foi conduzida por Marluce Dias da Silva, que na ocasião comandava a emissora, e que tratou diretamente com John de Mol para garantir a aquisição do formato.
Este episódio revela o quanto a história do reality show esteve marcada por disputas e estratégias de adaptação, além de evidenciar a influência do próprio Silvio Santos na história da televisão brasileira, mesmo que sua tentativa de produzir uma versão própria do Big Brother Brasil tenha sido interrompida por questões internas e de estratégia de mercado.