A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta sexta-feira, 4 de novembro, uma proposta que visa corrigir as distorções na representação dos continentes no mapa-múndi, especialmente no que diz respeito ao tamanho da África, América do Sul e do Sul da Ásia. Desde o século 16, a projeção cartográfica de Mercator, amplamente utilizada em materiais educacionais, mídias, mapas digitais e oficiais, tem apresentado essas regiões menores do que suas proporções reais. A decisão unânime, com 164 votos favoráveis e apenas os Estados Unidos contra, busca promover uma representação mais justa e precisa do planeta.
A iniciativa, liderada pelo Togo e apoiada por diversos países africanos, foi apresentada na proposta intitulada “Corrija o mapa”. Segundo a ONU, a mudança visa não apenas ajustar a dimensão dos continentes, mas também promover uma percepção mais equilibrada e verdadeira do mundo, combatendo os vieses históricos impostos por projeções cartográficas tradicionais. A proposta recebeu seis abstenções na votação.
Durante o debate, o ministro das Relações Exteriores de Togo, Robert Dussey, destacou que a aprovação simboliza a confiança da Assembleia na “verdade científica”. Ele afirmou que a decisão reforça a importância de uma representação que respeite a dignidade dos povos e a equidade de suas regiões, além de contribuir para uma compreensão mais justa das diferenças geográficas.
Dussey explicou que a projeção de Mercator, criada em 1569 com fins de navegação, foi amplamente adotada por sua praticidade, mas apresentou o problema de distorções na escala das massas de terra. Como consequência, países localizados ao norte e ao sul da linha do Equador passaram a parecer maiores do que realmente são, o que perpetuou uma visão desequilibrada do mundo, sobretudo em contextos educacionais e midiáticos.
A proposta aprovada também enfatiza que a correção dessas distorções não é apenas uma questão de precisão cartográfica, mas uma forma de promover “justiça cognitiva e reparação memorial”, contribuindo para uma compreensão mais igualitária entre os povos. Nesse sentido, a União Africana apresentou a projeção “Terra Igual” como uma alternativa mais fiel às dimensões reais dos continentes, esperando que sua adoção se torne padrão em mapas oficiais, educacionais e institucionais ao redor do mundo.
A ONU reforçou que mapas com proporções corretas influenciam positivamente aspectos educacionais, científicos, culturais, políticos e econômicos, além de ajudar a eliminar preconceitos históricos que dificultam o reconhecimento de desigualdades e a promoção do desenvolvimento global. A decisão faz parte do compromisso assumido pelos Estados-Membros no Pacto para o Futuro, aprovado em 2024, que enfatiza a necessidade de eliminar desigualdades estruturais e combater todas as formas de discriminação relacionadas à percepção geográfica e cultural.
A iniciativa da ONU representa um passo importante na revisão de representações que moldam a visão de mundo, buscando promover uma narrativa mais justa e igualitária na cartografia global.