O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira, 4 de outubro, em Brasília, que a resposta do Poder Judiciário às supostas irregularidades envolvendo o caso do Banco Master e o vazamento de mensagens entre ministros do STF, Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, será conduzida estritamente dentro dos limites da legalidade. Em meio a uma crise que tem acentuado a tensão no sistema judicial brasileiro, Fachin destacou que a gravidade das acusações não autoriza a adoção de procedimentos ilegais ou atalhos, reforçando o compromisso do STF com o respeito ao devido processo legal, às garantias constitucionais e à Constituição Federal.
Durante evento no Palácio do Planalto, que marcou a sanção de leis destinadas a criar fundos para o aprimoramento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público da União (MPU), Fachin garantiu que a apuração dos fatos seguirá os trâmites previstos na legislação vigente. Ele ressaltou que o STF fará o que é correto, no tempo e na forma exigida pelo ordenamento jurídico, reforçando a necessidade de preservação das instituições republicanas, especialmente em momentos de maior tensão política e institucional. O ministro destacou ainda que nenhuma autoridade ou poder está acima da Constituição, afirmando que interesses circunstanciais não podem se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito.
O evento no Planalto contou ainda com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reforçou a importância de aplicação uniforme da legislação brasileira. Lula alertou contra o uso de cargos públicos para benefício pessoal, citando que essa prática não deve ser tolerada sob o pretexto de defesa da democracia. Segundo o presidente, todos, independentemente de função ou posição, devem seguir os mesmos trâmites legais, pois a lei deve valer para todos de forma igualitária.
Lula também cobrou maior transparência por parte das instituições, especialmente do Poder Judiciário, sob pena de perda de credibilidade perante a opinião pública. Ele criticou veementemente a prática de vazamentos seletivos de informações, que, na sua avaliação, representam uma ameaça à democracia brasileira. O presidente alertou que a disseminação de fake news e o denuncismo, alimentados por interesses políticos e econômicos, colocam em risco a estabilidade democrática do país.
A semana foi marcada por uma série de episódios envolvendo o STF. Nesta quarta-feira, 3 de outubro, o ministro André Mendonça solicitou ao presidente Fachin a abertura de um inquérito contra Alexandre de Moraes, após a Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e Vorcaro, atualmente preso por fraudes no Banco Master. Em resposta, Moraes solicitou uma investigação contra Mendonça, que também atua na relatoria de processos relacionados às operações policiais Sem Desconto e Compliance Zero. Além disso, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação da investigação que envolve Moraes e Vorcaro, reforçando a complexidade do cenário jurídico-político. Fachin estabeleceu um prazo de cinco dias para que Mendonça e Gonet se manifestem sobre o caso, demonstrando o esforço do STF em conduzir as apurações de forma transparente e dentro do rigor legal.
As declarações de Fachin reforçam a posição do STF de que, mesmo diante de episódios de crise e controvérsia, o Judiciário manterá seu compromisso com a legalidade, a Constituição e a preservação das instituições democráticas, buscando garantir que a Justiça seja feita de forma justa e isenta.