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Bolsa brasileira registra alta de 1,3% e atinge maior nível em quase quatro meses com valorização do petróleo e recuo do dólar

(Agência Brasil)

A bolsa de valores brasileira fechou esta terça-feira (1º) com alta de 1,3%, atingindo o nível de 179.722,48 pontos, seu maior patamar desde meados de maio, marcando uma recuperação significativa após meses de oscilações. Essa valorização ocorreu em um contexto de forte aumento nos preços internacionais do petróleo e recuo do dólar frente às moedas emergentes, impulsionando as ações de empresas do setor de petróleo, especialmente a Petrobras, que liderou as altas no Ibovespa.

O mercado financeiro brasileiro foi influenciado positivamente pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente após os Estados Unidos anunciarem novos ataques contra alvos no Irã. Essas ações aumentaram as preocupações globais sobre o fornecimento de petróleo, elevando os preços da commodity. O petróleo tipo Brent, referência para o mercado internacional, fechou em alta de 4,6%, cotado a US$ 94,65 por barril, enquanto o petróleo WTI, do Texas, avançou 5,2%, encerrando a US$ 90,22 por barril. Esses aumentos, na casa de 4,6% e 5,2%, respectivamente, representam as maiores variações diárias desde o início do mês, refletindo a intensificação das tensões no Oriente Médio e o aumento do risco de interrupções na oferta global.

No mercado cambial, o dólar comercial encerrou o pregão com uma queda de 0,54%, vendendo a R$ 5,153. Com esse movimento, a moeda norte-americana acumula uma baixa de aproximadamente 6,12% no ano, embora tenha registrado alta no início do dia, chegando a R$ 5,20 após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre, que mostrou desaceleração da economia. O resultado do PIB, que cresceu 0,5% no período, após uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre, reforçou a expectativa de que o Banco Central possa reduzir a Taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, o que, por sua vez, tende a diminuir a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros. No entanto, ao longo da manhã, o dólar perdeu força, acompanhando o movimento de outras moedas de economias emergentes, e passou a operar em queda, atingindo R$ 5,13 por volta das 14h20.

O desempenho positivo do mercado acionário brasileiro foi sustentado principalmente pelas ações da Petrobras, que tiveram forte valorização acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional. Os papéis preferenciais da estatal subiram 4,11%, enquanto as ações ordinárias avançaram 4,14%. Além disso, o mercado reagiu ao anúncio de um aumento de 13,9% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV), realizado pela Petrobras, contribuindo para o avanço das ações de empresas do setor de petróleo e derivados no Brasil. Outro fator que reforçou o otimismo foi o recorde de produção de petróleo no país, que atingiu 4,5 milhões de barris por dia em julho, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Apesar do bom desempenho do mercado de ações, a economia brasileira apresentou sinais de desaceleração, com crescimento de 0,5% no segundo trimestre, após uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre. O resultado indica uma perda de ritmo na atividade econômica, com retração do consumo das famílias e menor dinamismo na indústria, o que reforça as expectativas de novos cortes na taxa básica de juros, a Selic. Em agosto, o mercado de capitais brasileiro também enfrentou saída líquida de recursos estrangeiros, totalizando R$ 130 milhões na última sessão do mês, elevando o saldo negativo acumulado até o dia 28 de agosto para quase R$ 18,6 bilhões.

Nos Estados Unidos, o cenário foi oposto ao do Brasil, com o índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas do país, encerrando o dia com queda de 0,71%. Nesse contexto, o rendimento do título de dez anos do Tesouro norte-americano subiu, refletindo uma tendência global de venda de ativos de risco. A valorização do petróleo e o aumento das tensões no Oriente Médio elevam a percepção de risco na economia mundial, contribuindo para a volatilidade dos mercados internacionais.

Em síntese, a combinação de fatores internos, como o desempenho do PIB e as expectativas de redução da taxa de juros, com fatores externos, como a crise no Oriente Médio e a alta do petróleo, impulsionou o mercado financeiro brasileiro nesta terça-feira, levando a bolsa a seu maior nível em quase quatro meses e reforçando o cenário de recuperação após um período de volatilidade.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade