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Gente com deficiência vale menos que bagagem quebrada

Foto:blog Vencer Limites.

–PUBLICIDADEO jornalista Jairo Marques, homem com deficiência, cadeirante, meu amigo que trabalha na Folha, vivenciou no último sábado, 6/6, aquilo que ele, eu e muita gente com deficiência denuncia sobre o tratamento do setor aéreo às pessoas com deficiência. Na escala de prioridades, estamos abaixo da bagagem quebrada.Jairo retornava de Belo Horizonte (MG) para São Paulo pela companhia Azul e, como ele diz em vídeo publicado no Instagram, não havia ambulift disponível (aquela cabine elevatória para embarque e desembarque com segurança) porque todos estavam quebrados. Ele mostra, inclusive, a situação precária do equipamento, com a porta deslizante travada e ganchos improvisados para segurar a cadeira de rodas, já na quinta-feira, 4/6, quando embarcou para a capital mineira.”O aeroporto de Congonhas, em São Paulo, administrado pela @aenabrasil transforma a vida de pessoas com deficiência, idosos e pessoas com mobilidade reduzida um inferno. Temos mostrado isso há anos e nada aconteceu. A @oficialanacbr parece completamente inoperante. Ontem (6) vivi mais um dia de caos no aeroporto. Nenhum ambulifit da concessionária estava em operação e a @azulinhasaereas não tem um equipamento próprio por lá. O único em operação era da Gol que tentava ajudar a dezenas de pessoas presas nas aeronaves. Um escárnio completo. Há poucos dias uma senhora morreu no mesmo aeroporto ao cair de uma escada. Está se esperando uma tragédia ainda maior”, escreveu Jairo.–Publicidade Foto: Reprodução.–“Me ofereceram a cadeira escaladora para sair do avião e eu me recusei a descer naquilo. Havia várias pessoas nas outras aeronaves, sobretudo idosas, esperando também que o único ambulift operante, que não era da concessionária (AENA Brasil), fizesse o resgate. Ninguém dava esclarecimento nenhum. E o detalhe é que, quando eu fui para Belo Horizonte, na quinta-feira de manhã, o ambulift já estava naquela condição que registrei no vídeo, a porta totalmente detonada, o que mostra que não tem manutenção”, me contou Jairo.”A empresa aérea (Azul), no meu caso, não teve nenhuma culpa. O atendimento foi bom. Eles ficaram comigo lá o tempo todo, me informaram o que estava acontecendo. Ninguém criou caso quando eu falei que não ia descer com a cadeirinha. Eles dependem do serviço da operadora (AENA Brasil), a mesma operadora do aeroporto de Madrid (Espanha), onde o serviço de acessibilidade é exemplar para o mundo. E aqui é isso”, afirmou Jairo.Respostas – Pedi esclarecimentos para a Azul Linhas Aéreas Brasileiras, que enviou nota. “A Azul informa que, durante o desembarque do voo AD9153 (Confins-Congonhas), realizado em 6 de junho, houve indisponibilidade momentânea do ambulift do aeroporto, para o uso por um cliente com necessidade de assistência especial presente no voo. O veículo com o equipamento é disponibilizado pela concessionária aeroportuária. A companhia adotou todas as medidas necessárias para garantir o atendimento adequado ao cliente e, após a liberação do equipamento, o desembarque foi realizado com segurança. A Azul ressalta que todos os clientes que necessitavam de assistência receberam o suporte necessário e que a segurança e o bem-estar de seus clientes são prioridades em suas operações”.Também questionei a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que disse acompanhar com atenção os relatos envolvendo o desembarque remoto de passageiros no Aeroporto de Congonhas. “A Agência apurou preliminarmente que, nos últimos dias, houve situação operacional pontual envolvendo a indisponibilidade temporária de equipamentos de ambulift no aeroporto. Conforme informado pelo operador aeroportuário, Congonhas contava com três ambulifts. No entanto, por razões imprevistas de manutenção, a disponibilidade foi reduzida temporariamente para apenas um ambulift em operação. Segundo a concessionária, a situação já foi normalizada, com dois ambulifts atualmente em operação no aeroporto. A concessionária também informou que está providenciando a chegada de mais dois equipamentos, com o objetivo de ampliar a redundância operacional e reduzir o risco de novas indisponibilidades”.PublicidadeCobrei posicionamento da AENE Brasil, mas não houve resposta até agora. O espaço permanece aberto.CONTiNUA APÓS PUBLICIDADETrês horas – Em setembro do ano passado publiquei aqui no blog Vencer Limites (Estadão) reportagem denunciando o desrespeito enfrentado no Aeroporto de Guarulhos (SP) pela consultora Luciana Trindade, que tem Distrofia Muscular Congênita, usa cadeira de rodas motorizada e aparelho de ventilação mecânica para respiração.Ela havia compartilhado vídeos nas redes sociais para mostrar que, junto com o marido, Ancelmo Araújo, ficou quase três horas dentro de um avião da Latam (voo LA3528, Brasília / São Paulo), após o pouso.Vai piorar – Conforme dito aqui no blog anteriormente, essa situação tende a piorar com a atualização da Resolução nº 280, de 11 de julho de 2013, “sobre assistência especial e acessibilidade de passageiros com necessidade de assistência especial ao serviço de transporte aéreo”. Uma consulta pública a respeito dessa atualização (n° 2/2025), entre janeiro e maio de 2025, teve 625 contribuições, segundo o sistema ‘Participa + Brasil’, do governo federal. E uma audiência pública foi feita em 13/3, com participação de instituições que representam as pessoas com deficiência.Dois pontos da proposta se destacam: a alteração do conceito sobre quem é esse passageiro com necessidade de assistência especial, chamado de PNAE, e a permissão à empresa aérea de decidir de maneira unilateral qual pessoa com deficiência tem autonomia e independência para viajar sozinha.PublicidadePessoas com deficiência serão expulsas de aviões e nem sequer poderão questionar essa decisão unilateral das companhias aéreas? Se depender das mudanças sugeridas pela ANAC, há uma real possibilidade.–
–Publicidade Foto: Reprodução.–“Me ofereceram a cadeira escaladora para sair do avião e eu me recusei a descer naquilo. Havia várias pessoas nas outras aeronaves, sobretudo idosas, esperando também que o único ambulift operante, que não era da concessionária (AENA Brasil), fizesse o resgate. Ninguém dava esclarecimento nenhum. E o detalhe é que, quando eu fui para Belo Horizonte, na quinta-feira de manhã, o ambulift já estava naquela condição que registrei no vídeo, a porta totalmente detonada, o que mostra que não tem manutenção”, me contou Jairo.”A empresa aérea (Azul), no meu caso, não teve nenhuma culpa. O atendimento foi bom. Eles ficaram comigo lá o tempo todo, me informaram o que estava acontecendo. Ninguém criou caso quando eu falei que não ia descer com a cadeirinha. Eles dependem do serviço da operadora (AENA Brasil), a mesma operadora do aeroporto de Madrid (Espanha), onde o serviço de acessibilidade é exemplar para o mundo. E aqui é isso”, afirmou Jairo.Respostas – Pedi esclarecimentos para a Azul Linhas Aéreas Brasileiras, que enviou nota. “A Azul informa que, durante o desembarque do voo AD9153 (Confins-Congonhas), realizado em 6 de junho, houve indisponibilidade momentânea do ambulift do aeroporto, para o uso por um cliente com necessidade de assistência especial presente no voo. O veículo com o equipamento é disponibilizado pela concessionária aeroportuária. A companhia adotou todas as medidas necessárias para garantir o atendimento adequado ao cliente e, após a liberação do equipamento, o desembarque foi realizado com segurança. A Azul ressalta que todos os clientes que necessitavam de assistência receberam o suporte necessário e que a segurança e o bem-estar de seus clientes são prioridades em suas operações”.Também questionei a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que disse acompanhar com atenção os relatos envolvendo o desembarque remoto de passageiros no Aeroporto de Congonhas. “A Agência apurou preliminarmente que, nos últimos dias, houve situação operacional pontual envolvendo a indisponibilidade temporária de equipamentos de ambulift no aeroporto. Conforme informado pelo operador aeroportuário, Congonhas contava com três ambulifts. No entanto, por razões imprevistas de manutenção, a disponibilidade foi reduzida temporariamente para apenas um ambulift em operação. Segundo a concessionária, a situação já foi normalizada, com dois ambulifts atualmente em operação no aeroporto. A concessionária também informou que está providenciando a chegada de mais dois equipamentos, com o objetivo de ampliar a redundância operacional e reduzir o risco de novas indisponibilidades”.PublicidadeCobrei posicionamento da AENE Brasil, mas não houve resposta até agora. O espaço permanece aberto.CONTiNUA APÓS PUBLICIDADETrês horas – Em setembro do ano passado publiquei aqui no blog Vencer Limites (Estadão) reportagem denunciando o desrespeito enfrentado no Aeroporto de Guarulhos (SP) pela consultora Luciana Trindade, que tem Distrofia Muscular Congênita, usa cadeira de rodas motorizada e aparelho de ventilação mecânica para respiração.Ela havia compartilhado vídeos nas redes sociais para mostrar que, junto com o marido, Ancelmo Araújo, ficou quase três horas dentro de um avião da Latam (voo LA3528, Brasília / São Paulo), após o pouso.Vai piorar – Conforme dito aqui no blog anteriormente, essa situação tende a piorar com a atualização da Resolução nº 280, de 11 de julho de 2013, “sobre assistência especial e acessibilidade de passageiros com necessidade de assistência especial ao serviço de transporte aéreo”. Uma consulta pública a respeito dessa atualização (n° 2/2025), entre janeiro e maio de 2025, teve 625 contribuições, segundo o sistema ‘Participa + Brasil’, do governo federal. E uma audiência pública foi feita em 13/3, com participação de instituições que representam as pessoas com deficiência.Dois pontos da proposta se destacam: a alteração do conceito sobre quem é esse passageiro com necessidade de assistência especial, chamado de PNAE, e a permissão à empresa aérea de decidir de maneira unilateral qual pessoa com deficiência tem autonomia e independência para viajar sozinha.PublicidadePessoas com deficiência serão expulsas de aviões e nem sequer poderão questionar essa decisão unilateral das companhias aéreas? Se depender das mudanças sugeridas pela ANAC, há uma real possibilidade.–
–“Me ofereceram a cadeira escaladora para sair do avião e eu me recusei a descer naquilo. Havia várias pessoas nas outras aeronaves, sobretudo idosas, esperando também que o único ambulift operante, que não era da concessionária (AENA Brasil), fizesse o resgate. Ninguém dava esclarecimento nenhum. E o detalhe é que, quando eu fui para Belo Horizonte, na quinta-feira de manhã, o ambulift já estava naquela condição que registrei no vídeo, a porta totalmente detonada, o que mostra que não tem manutenção”, me contou Jairo.”A empresa aérea (Azul), no meu caso, não teve nenhuma culpa. O atendimento foi bom. Eles ficaram comigo lá o tempo todo, me informaram o que estava acontecendo. Ninguém criou caso quando eu falei que não ia descer com a cadeirinha. Eles dependem do serviço da operadora (AENA Brasil), a mesma operadora do aeroporto de Madrid (Espanha), onde o serviço de acessibilidade é exemplar para o mundo. E aqui é isso”, afirmou Jairo.Respostas – Pedi esclarecimentos para a Azul Linhas Aéreas Brasileiras, que enviou nota. “A Azul informa que, durante o desembarque do voo AD9153 (Confins-Congonhas), realizado em 6 de junho, houve indisponibilidade momentânea do ambulift do aeroporto, para o uso por um cliente com necessidade de assistência especial presente no voo. O veículo com o equipamento é disponibilizado pela concessionária aeroportuária. A companhia adotou todas as medidas necessárias para garantir o atendimento adequado ao cliente e, após a liberação do equipamento, o desembarque foi realizado com segurança. A Azul ressalta que todos os clientes que necessitavam de assistência receberam o suporte necessário e que a segurança e o bem-estar de seus clientes são prioridades em suas operações”.Também questionei a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que disse acompanhar com atenção os relatos envolvendo o desembarque remoto de passageiros no Aeroporto de Congonhas. “A Agência apurou preliminarmente que, nos últimos dias, houve situação operacional pontual envolvendo a indisponibilidade temporária de equipamentos de ambulift no aeroporto. Conforme informado pelo operador aeroportuário, Congonhas contava com três ambulifts. No entanto, por razões imprevistas de manutenção, a disponibilidade foi reduzida temporariamente para apenas um ambulift em operação. Segundo a concessionária, a situação já foi normalizada, com dois ambulifts atualmente em operação no aeroporto. A concessionária também informou que está providenciando a chegada de mais dois equipamentos, com o objetivo de ampliar a redundância operacional e reduzir o risco de novas indisponibilidades”.PublicidadeCobrei posicionamento da AENE Brasil, mas não houve resposta até agora. O espaço permanece aberto.CONTiNUA APÓS PUBLICIDADETrês horas – Em setembro do ano passado publiquei aqui no blog Vencer Limites (Estadão) reportagem denunciando o desrespeito enfrentado no Aeroporto de Guarulhos (SP) pela consultora Luciana Trindade, que tem Distrofia Muscular Congênita, usa cadeira de rodas motorizada e aparelho de ventilação mecânica para respiração.Ela havia compartilhado vídeos nas redes sociais para mostrar que, junto com o marido, Ancelmo Araújo, ficou quase três horas dentro de um avião da Latam (voo LA3528, Brasília / São Paulo), após o pouso.Vai piorar – Conforme dito aqui no blog anteriormente, essa situação tende a piorar com a atualização da Resolução nº 280, de 11 de julho de 2013, “sobre assistência especial e acessibilidade de passageiros com necessidade de assistência especial ao serviço de transporte aéreo”. Uma consulta pública a respeito dessa atualização (n° 2/2025), entre janeiro e maio de 2025, teve 625 contribuições, segundo o sistema ‘Participa + Brasil’, do governo federal. E uma audiência pública foi feita em 13/3, com participação de instituições que representam as pessoas com deficiência.Dois pontos da proposta se destacam: a alteração do conceito sobre quem é esse passageiro com necessidade de assistência especial, chamado de PNAE, e a permissão à empresa aérea de decidir de maneira unilateral qual pessoa com deficiência tem autonomia e independência para viajar sozinha.PublicidadePessoas com deficiência serão expulsas de aviões e nem sequer poderão questionar essa decisão unilateral das companhias aéreas? Se depender das mudanças sugeridas pela ANAC, há uma real possibilidade.–
“Me ofereceram a cadeira escaladora para sair do avião e eu me recusei a descer naquilo. Havia várias pessoas nas outras aeronaves, sobretudo idosas, esperando também que o único ambulift operante, que não era da concessionária (AENA Brasil), fizesse o resgate. Ninguém dava esclarecimento nenhum. E o detalhe é que, quando eu fui para Belo Horizonte, na quinta-feira de manhã, o ambulift já estava naquela condição que registrei no vídeo, a porta totalmente detonada, o que mostra que não tem manutenção”, me contou Jairo.
“A empresa aérea (Azul), no meu caso, não teve nenhuma culpa. O atendimento foi bom. Eles ficaram comigo lá o tempo todo, me informaram o que estava acontecendo. Ninguém criou caso quando eu falei que não ia descer com a cadeirinha. Eles dependem do serviço da operadora (AENA Brasil), a mesma operadora do aeroporto de Madrid (Espanha), onde o serviço de acessibilidade é exemplar para o mundo. E aqui é isso”, afirmou Jairo.
Respostas – Pedi esclarecimentos para a Azul Linhas Aéreas Brasileiras, que enviou nota. “A Azul informa que, durante o desembarque do voo AD9153 (Confins-Congonhas), realizado em 6 de junho, houve indisponibilidade momentânea do ambulift do aeroporto, para o uso por um cliente com necessidade de assistência especial presente no voo. O veículo com o equipamento é disponibilizado pela concessionária aeroportuária. A companhia adotou todas as medidas necessárias para garantir o atendimento adequado ao cliente e, após a liberação do equipamento, o desembarque foi realizado com segurança. A Azul ressalta que todos os clientes que necessitavam de assistência receberam o suporte necessário e que a segurança e o bem-estar de seus clientes são prioridades em suas operações”.
Também questionei a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que disse acompanhar com atenção os relatos envolvendo o desembarque remoto de passageiros no Aeroporto de Congonhas. “A Agência apurou preliminarmente que, nos últimos dias, houve situação operacional pontual envolvendo a indisponibilidade temporária de equipamentos de ambulift no aeroporto. Conforme informado pelo operador aeroportuário, Congonhas contava com três ambulifts. No entanto, por razões imprevistas de manutenção, a disponibilidade foi reduzida temporariamente para apenas um ambulift em operação. Segundo a concessionária, a situação já foi normalizada, com dois ambulifts atualmente em operação no aeroporto. A concessionária também informou que está providenciando a chegada de mais dois equipamentos, com o objetivo de ampliar a redundância operacional e reduzir o risco de novas indisponibilidades”.
Cobrei posicionamento da AENE Brasil, mas não houve resposta até agora. O espaço permanece aberto.
Dois pontos da proposta se destacam: a alteração do conceito sobre quem é esse passageiro com necessidade de assistência especial, chamado de PNAE, e a permissão à empresa aérea de decidir de maneira unilateral qual pessoa com deficiência tem autonomia e independência para viajar sozinha.
Pessoas com deficiência serão expulsas de aviões e nem sequer poderão questionar essa decisão unilateral das companhias aéreas? Se depender das mudanças sugeridas pela ANAC, há uma real possibilidade.
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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade