Na quarta-feira (7), os Estados Unidos informaram sobre a apreensão do navio-tanque Marinera, anteriormente conhecido como Bella 1, que possui vínculos com a Venezuela e navega sob a bandeira russa. Recentemente, a embarcação recebeu a proteção de um submarino russo, segundo fontes da mídia americana. A apreensão do Marinera pode intensificar as tensões entre Washington e Moscou, com tropas norte-americanas já a bordo do navio, conforme reportado pela agência Associated Press.
Construído em 2002, o Marinera foi projetado para transportar petróleo e produtos químicos, operando inicialmente sob a bandeira do Panamá. Com dimensões de 333 metros de comprimento e 60 metros de largura, sua capacidade de carga é de até 318 mil toneladas, classificando-o como um VLCC (Very Large Crude Carrier) no cenário internacional.
Ao longo de sua trajetória, o Marinera passou por várias mudanças de nome, um fenômeno comum no comércio marítimo. Ele foi chamado de Mtov em 2012, Overseas Mulan em 2017 e Xiao Zhu Shan em 2021, antes de ser registrado como Bella 1 sob a bandeira da Guiana. O governo russo concedeu uma licença temporária para que o navio operasse sob sua bandeira na véspera do último Natal. Anteriormente, o Marinera já tinha sido alvo de sanções do governo Biden por transportar petróleo iraniano.
A Rússia condenou a apreensão, alegando que a ação dos EUA infringiu o direito marítimo e que não havia justificativa para o uso da força. Moscou também solicitou que os Estados Unidos tratassem a tripulação do navio com dignidade. A Casa Branca defendeu sua ação, afirmando que a apreensão estava em conformidade com o direito internacional, devido à acusação de que o navio operava com uma bandeira falsa.
O Reino Unido apoiou a operação, atendendo a um pedido de ajuda dos EUA, de acordo com declarações do secretário de Defesa britânico, John Healey. Ele mencionou que o navio possui um “histórico nefasto” e está relacionado a redes de evasão de sanções da Rússia e do Irã.
Recentemente, a Rússia enviou um submarino e outras embarcações para proteger o Marinera, que foi interceptado pelos EUA no final de dezembro e estava em uma tentativa de fuga em direção ao Oceano Atlântico. A apreensão pode provocar um aumento nas tensões entre os EUA e a Rússia, especialmente após um pedido formal do Kremlin para que Washington cessasse a perseguição ao petroleiro.
No momento da apreensão, os dados de rastreamento marítimo indicaram que o tanque de petróleo do Marinera estava vazio. Autoridades relataram que embarcações militares russas, incluindo um submarino, estavam na região da operação, mas não houve relatos de confrontos entre as forças dos EUA e da Rússia.
Após a apreensão, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, ressaltou que o bloqueio aos petroleiros venezuelanos permanece em vigor globalmente. Em dezembro, o presidente Donald Trump havia imposto um “bloqueio total” aos petroleiros venezuelanos, resultando na apreensão de duas embarcações em 2025.
Os EUA acusam o Marinera de operar com uma bandeira falsa e de transportar petróleo venezuelano para aliados do regime chavista, como Rússia, China e Irã. A Casa Branca argumenta que abordar um navio com bandeira falsa não contraria o direito internacional. Na semana passada, o Kremlin já havia solicitado que os EUA interrompessem a perseguição ao petroleiro.
A interceptação inicial do Bella 1, que estava se aproximando da Venezuela, ocorreu em 16 de dezembro, mas a tripulação resistiu e conseguiu mudar de rota, fugindo para o Oceano Atlântico. Desde então, o Exército dos EUA tem seguido o navio, que, segundo o jornal “The New York Times”, vinha do Irã com destino à Venezuela para carregamento de petróleo.
Após a mudança de nome para Marinera, a embarcação passou a constar como pertencente à Rússia, com o porto de origem indicado como Sochi. Em dezembro, a Guarda Costeira dos EUA já havia interceptado outros dois petroleiros no Caribe, ambos carregados com petróleo venezuelano, em meio a um aumento da presença militar dos EUA na região, com mais de 15 mil soldados, incluindo um porta-aviões e outros navios de guerra. As operações militares visam reforçar as sanções econômicas.