A mensagem do presidente Donald Trump à Venezuela, mais do que uma simples declaração em letras maiúsculas, revela a intenção dos Estados Unidos de sufocar o regime de Nicolás Maduro por meio da ameaça de um bloqueio total a petroleiros sancionados que operam no país.
Dados da Transparência Venezuela indicam que 40% das embarcações que transportam petróleo bruto da Venezuela atuam de forma irregular. Assim, o alerta feito pelo líder americano recentemente pode causar um impacto significativo na economia do país caribenho.
Como admitiu sua chefe de Gabinete, Susie Wiles, em uma entrevista reveladora à revista “Vanity Fair”, essa abordagem agressiva integra uma estratégia do governo para derrubar Maduro. “Ele deseja continuar atacando embarcações até que Maduro se renda”, declarou Wiles. Desde setembro, os Estados Unidos realizaram 25 ações contra navios no Caribe e no Pacífico, resultando na morte de pelo menos 95 pessoas.
O braço da Transparência Internacional na Venezuela, que opera no exílio, identificou que, em novembro, 17 navios sob sanções norte-americanas estavam navegando em águas venezuelanas — uma queda de 14 embarcações em relação ao mês anterior. Essa diminuição no tráfego marítimo irregular parece ser consequência da presença visível da frota americana no Mar do Caribe, que inclui o porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo.
“A Venezuela está completamente cercada pela maior força naval já reunida na história da América do Sul. Essa presença só tende a aumentar, e o impacto será algo sem precedentes — até que devolvam aos Estados Unidos todo o petróleo, terras e outros bens que nos tiraram”, ameaçou Trump em suas redes sociais.
A mensagem contundente de Trump, como é comum, foi proferida em letras maiúsculas, e traz algumas ambiguidades. Ele rotula o regime venezuelano como uma organização terrorista estrangeira, mas não esclarece as implicações disso. Também não fica claro como o regime teria se apropriado do petróleo e de outros ativos dos EUA, ou de que maneira espera que sejam restituídos.
Independentemente disso, Trump elevou sua retórica contra Maduro a um novo patamar ao anunciar um bloqueio total aos navios sancionados, sugerindo que seus objetivos vão além da suposta missão de combate ao narcotráfico. A apreensão do petroleiro Skipper, que transportava petróleo venezuelano e navegava com bandeira falsa da Guiana, na semana passada, foi um evento sem precedentes.
De acordo com Francisco Monaldi, especialista e diretor do Programa de Energia da América Latina do Instituto Baker, da Universidade Rice, essa primeira ação indica que os petroleiros que partem da Venezuela poderão ser alvo de apreensões futuras, conforme anunciou Trump. Mais medidas podem estar a caminho.