De acordo com uma matéria publicada pelo Financial Times, duas empresas envolvidas na crescente onda de investimentos em data centers de inteligência artificial estão trilhando caminhos diferentes. A reportagem afirma que a Oracle, em parceria com a gestora de investimentos alternativos Blue Owl Capital, tinha um plano de joint venture para a construção de data centers de IA, mas que as negociações para o financiamento de uma nova instalação de um gigawatt em Michigan (EUA) não tiveram sucesso.
Contudo, Michael Egbert, porta-voz da Oracle, contestou essa informação, afirmando que “a matéria do FT não é precisa”. Ele explicou que “nosso parceiro de desenvolvimento, a Related Digital, optou pelo melhor investidor em capital próprio a partir de um processo competitivo, e a Blue Owl não foi selecionada. As negociações finais para o acordo de equity estão progredindo conforme o cronograma estabelecido”.
Esse episódio é mais um passo na estratégia da Oracle de acelerar a expansão de sua nuvem voltada à inteligência artificial, em busca de cumprir um contrato de US$ 300 bilhões com a startup OpenAI, que não possui os recursos necessários para tal quantia, nem um plano claro para obtê-los.
Em setembro, a Oracle emitiu US$ 18 bilhões em novas dívidas, elevando o total para US$ 111 bilhões em novembro, comparado aos US$ 89 bilhões do ano anterior. A empresa também enfrenta US$ 272 bilhões em obrigações de leasing, um aumento de US$ 152 bilhões em apenas três meses.
Adicionalmente, a Oracle registrou uma perda de US$ 13 bilhões em fluxo de caixa livre nos últimos 12 meses, sendo que US$ 10 bilhões foram contabilizados apenas no último trimestre. Essa reestruturação financeira e os desafios nos fluxos de caixa impactaram negativamente suas ações, que já caíram mais de 40% em relação ao pico histórico de setembro, enquanto o valor de seus títulos de dívida também apresentou queda.