As autoridades dos Estados Unidos anunciaram que a implementação de um acordo tecnológico de US$ 40 bilhões com o Reino Unido será adiada, devido a preocupações em Washington relacionadas à abordagem britânica sobre regulamentações digitais e padrões alimentares. O “Acordo de Prosperidade Tecnológica”, que abrange áreas como inteligência artificial, computação quântica e energia nuclear civil, foi assinado durante a visita de Estado do ex-presidente Donald Trump ao Reino Unido em setembro, simbolizando a forte relação entre as nações e sua capacidade de colaboração em comércio e tecnologia.
Em maio, o Reino Unido se tornou o primeiro país a concordar, em princípio, com a redução de algumas tarifas americanas, mas o progresso na implementação tem sido lento. As negociações em setores como o de siderurgia estão paralisadas, embora um acordo preliminar tenha sido alcançado no setor farmacêutico no início deste mês.
Nesta terça-feira (16), autoridades britânicas confirmaram que os EUA decidiram pausar a implementação do acordo tecnológico. O jornal The New York Times, que foi o primeiro a divulgar a informação, informou que autoridades americanas expressaram frustração com as regulamentações britânicas referentes à segurança online, ao imposto sobre serviços digitais e às restrições em segurança alimentar.
Ministros britânicos afirmam que o acordo tarifário de maio possibilitou um aumento nas exportações de carne bovina dos EUA sem comprometer os padrões do Reino Unido, e sustentam que as regulamentações digitais e os impostos não serão objeto de negociação. Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, se negou a comentar em detalhes sobre o que descreveu como “negociações em andamento”, ressaltando que a relação com Washington se mantém forte.
“Esse tipo de negociação nunca é simples. É evidente que ambas as partes buscam o melhor para seus respectivos países, mas continuamos em diálogo ativo”, declarou ele a repórteres, enfatizando que é “natural e normal” que os países priorizem seus próprios interesses. “Essas discussões são complexas e levam tempo para serem finalizadas”, acrescentou.
No contexto do “Acordo de Prosperidade Tecnológica”, Reino Unido e Estados Unidos concordaram em colaborar no desenvolvimento de computadores quânticos e inteligência artificial, enquanto empresas como Microsoft, Google, Nvidia e OpenAI se comprometeram a investir dezenas de bilhões de dólares no território britânico. A Casa Branca ainda não respondeu a solicitações de comentário feitas pela Reuters.
Os EUA são o principal parceiro comercial do Reino Unido, e grandes corporações americanas de tecnologia já aplicaram bilhões de dólares em operações no país. O secretário de Comércio britânico, Peter Kyle, esteve nos EUA na semana passada para discutir com autoridades comerciais e empresas de tecnologia, enfatizando a importância de manter o ritmo na implementação de todos os aspectos do acordo entre as duas nações. “Ambas as partes concordaram em continuar as negociações em janeiro”, informou seu gabinete.