A Fiocruz, o Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT) e a Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri promovem, na próxima terça-feira (3/11), o evento “Desinformação em saúde em comunidades indígenas Baniwa e Koripako: resultados de estudo”. O encontro apresentará os principais resultados de uma pesquisa realizada no Alto Rio Negro, no Amazonas, sobre a circulação de informações falsas ou enganosas relacionadas à saúde, à saúde mental e às vacinas. A transmissão será feita pelo canal da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) no YouTube, a partir das 14h30, no horário de Brasília.
O estudo investigou como conteúdos desinformativos chegam às comunidades Baniwa e Koripako, quais atores contribuem para sua disseminação, que formatos são utilizados e por quais meios essas narrativas circulam. A pesquisa também analisou os efeitos dessas informações sobre a percepção dos moradores em relação aos temas de saúde estudados.
A desinformação em saúde ganhou alcance global, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Nas regiões indígenas, o avanço da conectividade alterou as formas de acesso à informação. A expansão da internet via satélite e a popularização dos smartphones ampliaram as possibilidades de comunicação e facilitaram o contato com conteúdos digitais, mas também aumentaram a exposição das comunidades a informações falsas, imprecisas ou enganosas.
Pesquisa foi realizada com participação indígena
Realizada em 2025, a investigação adotou uma abordagem decolonial e participativa, com protagonismo indígena na coordenação e na execução das atividades. O trabalho combinou diferentes métodos de pesquisa para compreender as características da circulação da desinformação no território.
Ao todo, foram conduzidas 20 entrevistas semiestruturadas e quatro grupos focais com moradores de São Gabriel da Cachoeira, tanto na sede do município quanto nas localidades de Areal e Assunção. A equipe também analisou conteúdos publicados nas plataformas digitais Instagram, Kwai e TikTok.
A partir desse levantamento, lideranças indígenas e pesquisadores buscaram identificar as formas pelas quais as informações são compartilhadas e os diferentes agentes envolvidos nesse processo. A iniciativa também pretende apontar caminhos para ampliar o acesso a informações confiáveis, levando em consideração os conhecimentos, as experiências e as formas de organização próprias das comunidades Baniwa e Koripako.
Evento terá devolutiva para as comunidades participantes
O encontro contará com a participação da liderança indígena Dzoodzo Baniwa e da pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz e do INCT-CPCT Luisa Massarani, coordenadora do projeto. Também estarão presentes outros integrantes da equipe responsável pelo estudo e representantes das comunidades que participaram da investigação.
Além de apresentar os resultados ao público, o evento funcionará como uma devolutiva às comunidades do Alto Rio Negro envolvidas na pesquisa. “O evento tem como objetivo fazer uma devolutiva para as comunidades indígenas do Alto Rio Negro que participaram do estudo, mas, também, está aberto a todas as pessoas interessadas, indígenas e não indígenas”, afirma Luisa Massarani.
Os resultados deram origem ainda a materiais voltados à divulgação científica e à promoção da saúde. Entre as iniciativas estão um podcast sobre saúde mental indígena e um folheto educativo destinado a escolas indígenas, produzido em português, baniwa e nheengatu. A equipe também elaborou um policy brief, documento que reúne recomendações para gestores públicos e para o Ministério da Saúde.
O projeto prevê, igualmente, a produção de artigos científicos. A pesquisa reúne a Fiocruz, a Universidade Laval, a Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri e a Cátedra Oswaldo Cruz de Ciência, Saúde e Cultura. A iniciativa tem parceria da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e da Secretaria Municipal de Educação e Educação Escolar Indígena.
O estudo recebeu apoio do Programa Inova Fiocruz e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).