Milton Nascimento expressou seu pesar pela morte de Lô Borges ao compartilhar, em suas redes sociais, nesta segunda-feira (3/11), uma emocionante homenagem ao amigo. O cantor e compositor mineiro faleceu aos 73 anos em Belo Horizonte, onde estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde 17 de outubro, após complicações decorrentes de uma intoxicação medicamentosa, que exigiram ventilação mecânica, traqueostomia e hemodiálise.
No post, Milton destacou a importância de Lô em sua vida e obra: “Lô Borges foi — e sempre será — uma das figuras mais significativas da minha trajetória. Foram décadas de uma amizade profunda e uma cumplicidade extraordinária, que resultaram em um dos álbuns mais celebrados da música mundial: Clube da Esquina.” Ele continuou, “A ausência de Lô deixará um imenso vazio e saudade, e o Brasil perde um de seus artistas mais criativos e singulares. Enviamos muito amor e força à família Borges, que acolheu Bituca quando ele chegou a Belo Horizonte, nos anos 60, especialmente ao seu filho Luca. Que Lô descanse em paz.”
A amizade entre os músicos começou em Belo Horizonte durante um período vibrante da cena cultural de Minas Gerais. Em 1963, quando Bituca se mudou para o mesmo prédio da família Borges, ele buscava novas conexões e rapidamente se aproximou de Lô e seus irmãos. Os encontros dos amigos eram marcados por longas conversas sobre música e troca de experiências, frequentemente na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, que inspirou o nome do movimento Clube da Esquina.
Embora o movimento tenha tomado forma nos anos 1960, foi somente em 1972 que Milton e Lô lançaram o álbum duplo “Clube da Esquina”, pela gravadora EMI-Odeon, em colaboração com outros músicos mineiros. Este disco se tornou um marco da música popular brasileira e é um dos álbuns mais admirados da história da música global. Anos depois, em 1978, Milton lançou “Clube da Esquina 2”, que contou com novos colaboradores, como Flávio Venturini e Murilo Antunes.
Lô Borges deixa um legado de 53 anos de carreira e é amplamente reconhecido como uma das figuras mais influentes da música brasileira. Sua trajetória inclui clássicos como “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, “O Trem Azul” e “Paisagem da Janela”. Nos últimos anos, ele manteve uma produção ativa, lançando um álbum de inéditas anualmente desde 2019. Seu mais recente trabalho, “Céu de Giz” (2025), uma colaboração com Zeca Baleiro, foi lançado em agosto.