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‘Casamento às Cegas 50+’ preenche uma lacuna deixada pelas telenovelas nacionais

Imagem: Divulgação

Ao longo de muitos anos, as telenovelas brasileiras equilibravam a presença de protagonistas jovens com a de personagens mais maduras. Muitas das tramas de maior sucesso na televisão brasileira eram lideradas por mulheres com mais de 40 anos. Clássicos como a versão original de “Vale Tudo” (1988), “Fina Estampa” (2011), além das icônicas Helenas de Manoel Carlos em “Por Amor” (1997), “Laços de Família” (2000) e “Mulheres Apaixonadas” (2003), assim como produções memoráveis como “A Próxima Vítima” (1995), “Senhora do Destino” (2004) e “A Favorita”, tinham mulheres maduras em papéis centrais, essenciais para a narrativa.

Entretanto, nos últimos tempos, os personagens mais velhos foram sendo gradualmente excluídos da teledramaturgia, que passou a se focar em elencos mais jovens, nem sempre preparados, em uma tentativa de captar a atenção de uma geração que consome menos televisão aberta.

Essa mudança não foi benéfica para ninguém. O público ficou sem histórias que abordassem questões mais profundas, que geralmente são mais bem exploradas por personagens com mais experiência, e, ainda por cima, perdeu a chance de apreciar o talento de atores veteranos.

Nesse contexto de escassez de representatividade etária, a Netflix se destacou ao criar uma temporada do reality show “Casamento às Cegas” voltada exclusivamente para participantes com mais de 50 anos. Essa decisão não só revitaliza um formato que já está em sua quinta temporada, como também preenche um vazio deixado pelas produções nacionais ao explorar os conflitos e desejos de pessoas maduras.

Nos quatro episódios já disponíveis na plataforma, fica evidente que a escolha por participantes mais velhos foi uma ótima estratégia. Os selecionados oferecem tudo que se espera de um programa de entretenimento de qualidade: paixões, intrigas, rivalidades, incoerências e dramas, tudo isso acompanhado de temas atuais como sexualidade, amor na maturidade e novas perspectivas de vida após os 50 anos. Na ausência das Helenas da Globo, a Netflix nos apresenta Lica, Silvia, Nívia, Fátima, Luciana e muitos outros personagens fascinantes, provando que há muito a se explorar e conquistar na meia-idade.

A quinta temporada de “Casamento às Cegas” tem o potencial de chamar a atenção de outras emissoras (canais abertos, TVs por assinatura e plataformas de streaming) para a importância de desenvolver mais projetos voltados para o público maduro, que continua a ser relegado a um segundo plano ou completamente ignorado, mesmo com mais de 55 milhões de pessoas acima dos 50 anos no Brasil, segundo dados do IBGE.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade