O estado do Pará lidera o ranking nacional de ocorrências de incêndios florestais, com um total de 922 focos ativos, conforme dados da plataforma Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este número representa uma situação de emergência na região, especialmente na cidade de Santarém, onde os níveis de poluição do ar atingem índices considerados muito insalubres. Em comparação, o estado vizinho do Amazonas apresenta atualmente 90 focos ativos, após ter registrado mais de mil pontos de fogo ao longo deste mês, indicando uma redução significativa na incidência de incêndios na região.
Na manhã desta segunda-feira, 19 de outubro, a qualidade do ar em Manaus, capital do Amazonas, foi avaliada pela plataforma IQAir, que classificou a condição como insalubre, com um índice de 153. Segundo os critérios do órgão, valores acima de 100 já indicam risco à saúde, e o limite considerado seguro para a população é de 32 microgramas de material particulado fino por metro cúbico de ar ao longo de um dia. Em Santarém, no oeste do Pará, os níveis de poluição atingiram índice de 260, classificação que indica uma condição muito insalubre, agravada pela concentração de 185 microgramas de material particulado fino por metro cúbico, uma quantidade altamente prejudicial à saúde humana.
A gravidade da situação levou as autoridades a reforçar as ações de combate aos incêndios na região. No domingo, 18 de outubro, o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, anunciou a ampliação da força-tarefa de enfrentamento às queimadas na Amazônia. A medida incluiu a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas em Manaus e a adaptação de mais cinco aeronaves para o combate ao fogo, elevando o total de aviões atuando na região para 16. Essas ações visam acelerar o controle dos focos de incêndio, que têm contribuído para o aumento da poluição atmosférica e para o agravamento das condições ambientais na região.
Além do esforço de combate direto às queimadas, há previsão de ações de suporte à saúde da população afetada. Nesta terça-feira, 20 de outubro, está prevista a implantação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) na região, com o objetivo de reforçar a assistência médica às comunidades impactadas pela fumaça e pelos efeitos da poluição atmosférica. Paralelamente, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) destinou R$ 14 milhões ao Governo do Amazonas para ações emergenciais relacionadas à crise, incluindo medidas de assistência social e operacionalização de recursos para o enfrentamento da situação.
A situação de emergência na Amazônia evidencia a gravidade do avanço dos incêndios na região oeste do Pará, que além de afetar a saúde pública, também tem implicações ambientais e socioeconômicas. As ações conjuntas das forças federais e estaduais demonstram o esforço do governo para conter os focos de fogo e minimizar os impactos à população e ao meio ambiente.