O tribunal de Paulo Cupertino, acusado do homicídio de Rafael Miguel e seus pais em 2019, teve início na manhã de ontem. A sessão começou às 11h com o sorteio dos jurados. Após os depoimentos de réus, da filha de Paulo, Isabela Tibcherani, e da ex-esposa, Vanessa Tibcherani, o júri foi suspenso às 22h30. A sentença será definida e divulgada hoje, com sete jurados — quatro homens e três mulheres — reunidos no fórum criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, para finalizar o julgamento. A fase de debates está programada para começar às 10h.
No decorrer do julgamento, Isabela foi a primeira a prestar depoimento. Ela relatou que seu pai sempre exibiu um comportamento agressivo e afirmou ter presenciado episódios de violência contra sua mãe. “Ouvi muitas coisas. Em um certo momento, minha mãe tentou deixar esse relacionamento e se envolver com outra pessoa. Quando meu pai soube, ele fez algo a respeito. Chegou até mim que ele matou esse cara”, disse Isabela, emocionada. Ela também expressou sua tristeza ao relembrar o irmão mais novo, Tadeu, de 19 anos, e mencionou as dificuldades que enfrenta: “As pessoas pensam que eu falo disso com naturalidade, mas não sabem quantos remédios eu tomo para lidar com a ansiedade e a depressão.”
Vanessa reforçou ter presenciado a agressividade de Paulo Cupertino. Durante o relacionamento, ela disse ter sofrido sete lesões nas costelas e quatro no nariz. “Ele assassinou três pessoas a sangue frio. Ele seria capaz disso, pois me agrediu a vida toda. Imagine o que ele faria com estranhos?”, declarou Vanessa.
Camila, irmã de Rafael Miguel, e Maria Gorete, tia do ator, também foram ouvidas como testemunhas da acusação, afirmando que a família não tinha inimigos e não sofria ameaças antes do crime.
Paulo Cupertino se manifestou oficialmente pela primeira vez sobre o caso. Visivelmente agitado e nervoso, ele contestou a acusação do Ministério Público, alegando que havia problemas processuais que dificultavam sua defesa. “Nunca houve premeditação da minha parte. Eu não estava armado no dia dos fatos. Basta me mostrar uma imagem que prove o contrário. Eu sei que poderia ter feito coisas piores para proteger minha família. Meu depoimento não é ensaiado, não preciso de um roteiro”, afirmou.
Após o depoimento, o juiz fez uma observação descontraída no plenário. “Que bom que você não me viu fazendo xixi”, brincou o réu, após quase duas horas de interrogatório. Minutos antes, ele havia solicitado uma pausa para ir ao banheiro. “Nessa altura do campeonato… só me faltava uma situação dessas”, comentou o juiz Antonio Carlos Pontes de Souza.
Maria Carvalho, outra ex-esposa de Cupertino, declarou que nunca testemunhou comportamento agressivo dele. Eles foram casados por cerca de 20 anos e tiveram dois filhos. “Nunca me senti ameaçada por Paulo. Ouço tantas coisas e tenho certeza de que aumentaram. O que eu via na TV não se relacionava com a pessoa que convivia comigo”, disse Maria.
À noite, outros dois réus, Wanderley Antunes e Eduardo Machado, foram ouvidos. Eles são acusados de ajudar Paulo Cupertino a fugir, período durante o qual ele ficou foragido por três anos antes de ser preso preventivamente em 2022. Wanderley e Eduardo alegam que foram coagidos por Cupertino, com quem tinham uma amizade antes do crime. Wanderley foi o responsável por levar Cupertino a uma rodoviária na noite em que Rafael, João e Miriam foram assassinados.