As declarações de Pep Guardiola geraram polêmica em Manchester, transcendentais à rivalidade entre os clubes City e United. Na quarta-feira (4/2), o treinador recebeu críticas do Conselho Judaico da Região Metropolitana de Manchester após se manifestar contra a ocupação israelense em terras palestinas. Guardiola, que comanda o Manchester City, tem se posicionado como defensor da causa palestina.
O Conselho expressou que Guardiola deveria ser “mais cauteloso” ao abordar temas relacionados ao Oriente Médio e sugeriu que ele se concentrasse exclusivamente no futebol, para não prejudicar a imagem do Manchester City. Em um comunicado, a entidade afirmou: “Embora suas intenções humanitárias possam ser nobres, é melhor que ele se dedique ao futebol. O Manchester City está sendo afetado por suas intervenções frequentes em questões internacionais.”
Na última quinta-feira (29/1), Guardiola participou de um evento beneficente em Barcelona, destinado a arrecadar fundos para ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (3/1), antes da vitória de sua equipe por 3 a 1, ele defendeu seu direito de expressar opiniões. “Nunca tivemos acesso a informações tão claras como agora sobre genocídios, seja na Palestina, na Ucrânia, na Rússia ou em outras partes do mundo. Precisamos nos importar com o que está acontecendo à nossa volta. Isso é um problema humano”, afirmou o técnico.
Guardiola aproveitou a oportunidade para criticar os líderes políticos, questionando se eles estão realmente preocupados com os conflitos globais ou apenas com suas ideologias. “Quando alguém vê essas imagens, isso não os toca? Não se trata de certo ou errado. Todo político, seja de direita ou esquerda, não se importa com o que acontece diariamente? Hoje temos a capacidade de ver, o que antes não era possível. Isso me dói. Se fosse o contrário, eu também sentiria”, destacou Guardiola.
O Conselho Judaico reiterou a importância de que figuras públicas tenham cuidado ao se pronunciar, considerando a crescente hostilidade enfrentada pela comunidade judaica ao redor do mundo. “Pep Guardiola é um treinador de futebol. Embora suas intenções humanitárias possam ser sinceras, ele deveria focar no seu trabalho. O Manchester City tem sido impactado por suas intervenções constantes em questões internacionais. Esta é a segunda vez em menos de uma semana que ele opta por emitir opiniões controversas sobre o conflito no Oriente Médio. É especialmente preocupante dada sua falta de solidariedade com a comunidade judaica, que recentemente sofreu ataques terroristas a poucos quilômetros do Etihad Stadium, ou com a comunidade de Barcelona, que enfrenta violência antissemita nas proximidades de onde ele fez suas declarações, que consideramos provocativas. Pedimos ao Sr. Guardiola que escolha suas palavras com mais cuidado no futuro, considerando os riscos que nossa comunidade enfrenta”.