O Brasil anunciou nesta quinta-feira, 13 de dezembro, a implementação da Lei de Reciprocidade e notificou oficialmente o governo dos Estados Unidos, numa tentativa de negociar a reversão das tarifas impostas pelo governo americano sob comando de Donald Trump. Essa iniciativa, que busca estabelecer medidas de retaliação semelhantes às aplicadas pelos Estados Unidos, pode ter impactos significativos na economia brasileira, incluindo o aumento do custo de vida e de produção, conforme alertou a economista e professora do Insper, Juliana Inhasz.
Apesar de reconhecer que a estratégia de reciprocidade pode oferecer ganhos táticos na negociação, Inhasz destacou que o processo envolve custos consideráveis caso evolua para ações concretas. Segundo ela, a aplicação de tarifas recíprocas pode elevar o preço de importações essenciais para o consumo doméstico e para a cadeia produtiva brasileira, o que, por sua vez, pode pressionar a inflação e reduzir o ritmo de atividade econômica. “A gente realmente vai socializar esse custo”, afirmou a especialista, ressaltando que esses efeitos podem se refletir de forma ampla na economia do país.
Outro aspecto de preocupação apontado por Inhasz é o risco de escalada do conflito comercial. Ela explica que, ao adotar tarifas como resposta, o Brasil pode desencadear uma reação em cadeia, na qual os Estados Unidos também elevam suas tarifas ou adotam contramedidas, levando a uma sequência de medidas que se retroalimentam. Essa dinâmica, segundo a economista, tende a reduzir o dinamismo do comércio internacional e prejudicar setores estratégicos, além de ampliar as ineficiências na economia brasileira. Ela reforça que esse ciclo de retaliações pode continuar indefinidamente, até que os prejuízos econômicos se tornem expressivos demais para ambos os lados.
Inhasz recomenda cautela na adoção dessas medidas, alertando para a necessidade de uma calibragem cuidadosa para evitar respostas desproporcionais que possam ampliar os custos e gerar maior incerteza no ambiente econômico. Do ponto de vista prático, ela aponta que setores dependentes de importação, como os de máquinas e equipamentos, componentes químicos, tecnologia e insumos industriais, podem ser particularmente afetados se as tarifas americanas elevarem significativamente o custo de produtos originários dos Estados Unidos. Essa elevação, por sua vez, pode criar um efeito paradoxal, no qual a tentativa de proteger a indústria nacional acaba pressionando setores que dependem desses insumos, prejudicando a competitividade e a produção industrial brasileira.
A análise de Inhasz evidencia que as ações de reciprocidade, embora possam parecer uma estratégia de barganha, carregam riscos consideráveis para a economia brasileira. Além de impactar o custo de importações essenciais, elas podem desencadear uma escalada de medidas protecionistas que reduzem o fluxo comercial e prejudicam setores estratégicos. Nesse cenário, a cautela na implementação dessas políticas é vista como fundamental para evitar que o país enfrente uma deterioração significativa em sua atividade econômica, inflação e na cadeia produtiva.