O clima que antecede o Conclave já está repleto de controvérsias. Giovanni Angelo Becciu, cardeal condenado a prisão por sua ligação a um escândalo de desvio de fundos e destituído de suas funções no Vaticano, causou surpresa ao declarar sua intenção de participar da eleição de um novo Papa após a morte do Papa Francisco. Conheça sua trajetória.
Desde 2001, quando foi nomeado arcebispo pelo Papa Bento XVI, Becciu ocupou posições de destaque na Igreja Católica, tanto globalmente como núncio apostólico, quanto internamente no Vaticano, onde exerceu funções como Substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado e Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.
Entretanto, em 2020, o cardeal se viu no centro de um escândalo, enfrentando acusações de desvio de verbas, fraude, extorsão, abuso de poder e nepotismo. De acordo com investigações do Vaticano, Becciu teria utilizado recursos da Igreja e doações de fiéis para adquirir uma propriedade luxuosa e transferido grandes quantias para uma entidade de caridade gerida por seu irmão.
De 2021 a 2023, Becciu passou por uma série de julgamentos e foi condenado a cinco anos e meio de detenção. Antes de sua condenação, ele já havia renunciado aos cargos na Igreja, com o consentimento do Papa Francisco. Embora tenha mantido o título de cardeal, perdeu o direito de participar de futuros Conclaves.
Com a morte do Papa Francisco, Becciu contesta sua renúncia, que foi aprovada pelo antigo pontífice, e afirma que pretende estar presente no próximo Conclave. Em uma entrevista ao jornal italiano L’Union Sarda, ele declarou que a proibição de sua participação nunca foi formalizada por escrito, considerando a lista de nomes divulgada pelo Vaticano como uma mera formalidade.
“Ao me convocar para o último consistório, o Papa reconheceu minhas prerrogativas como cardeal, pois não houve intenção explícita de me excluir do Conclave, nem um pedido formal de renúncia. A lista da Santa Sé não possui valor e deve ser vista como tal”, afirmou.
Além disso, Becciu continua a recorrer da sua condenação e reafirma sua inocência nas acusações de extorsão. Até o momento, o Vaticano ainda não se manifestou sobre a pretensão do cardeal de participar da eleição papal, que poderá ocorrer dentro de até 20 dias.