O índice que mede a expectativa de volatilidade do mercado financeiro brasileiro, conhecido como “índice do medo”, registrou nesta quinta-feira (22) seu maior valor em toda a série histórica, indicando aumento da incerteza entre investidores às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. O movimento ocorreu em um contexto de intensificação da disputa eleitoral, com pesquisas de intenção de voto indicando um cenário de empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Por volta das 15h15, o índice S&P/B3 Ibovespa VIX apresentava uma alta superior a 7%, atingindo 45,42 pontos. Na sessão anterior, o índice havia subido aproximadamente 8%, encerrando o dia aos 42,42 pontos. Essa sequência de recordes recentes reflete a crescente apreensão do mercado diante do cenário eleitoral, especialmente considerando o clima de incerteza que se instalou após a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto.
As últimas semanas têm sido marcadas por uma escalada na volatilidade, à medida que os investidores se ajustam às possibilidades de um resultado mais disputado e imprevisível. Essa tendência é reforçada pelas expectativas de que a disputa pelo Palácio do Planalto possa se tornar ainda mais acirrada a partir de 2027, caso Lula ou Bolsonaro obtenham a vitória. Essa percepção de risco elevado é evidenciada pelo comportamento do mercado financeiro, que apresenta sinais de cautela e busca estratégias de proteção de carteira.
No âmbito das pesquisas, um levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) pela Quaest revelou um empate técnico entre Flávio Bolsonaro, com 45% das intenções de voto no segundo turno, e Lula, com 44%. A margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos indica que a disputa está bastante equilibrada, o que aumenta a volatilidade e a expectativa de oscilações nos mercados. Este foi o primeiro levantamento realizado pela Quaest após o debate entre Lula e Flávio, exibido pela TV Band no último domingo (18).
No primeiro turno, realizado em 2 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou 45,16%. Com o segundo turno marcado para o próximo dia 25, a expectativa é que as próximas pesquisas possam consolidar ou alterar esse cenário de empate técnico, influenciando ainda mais o comportamento do mercado financeiro.
Outra pesquisa, divulgada nesta manhã pelo Indexa/Broadcast, apontou Flávio Bolsonaro com 50,6% das intenções de voto, contra 49,4% de Lula, considerando apenas votos válidos, ou seja, excluindo brancos e nulos. Essa metodologia, adotada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reforça a percepção de um cenário de disputa bastante equilibrada, com uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
O mercado também aguarda a divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha, prevista para ocorrer após o encerramento do pregão nesta quinta-feira, que poderá fornecer novos indicadores sobre as intenções de voto e influenciar as próximas movimentações dos investidores.
A elevação do índice de volatilidade reflete o clima de instabilidade na sessão, com o Ibovespa operando com queda superior a 1% e o dólar comercial chegando próximo de R$ 5,04. Além disso, os contratos futuros de juros também apresentam alta em toda a curva, indicando uma postura de cautela por parte do mercado financeiro. O VIX Brasil, calculado a partir das opções de compra e venda sobre o Ibovespa na B3, serve como um termômetro do risco percebido pelos investidores, sendo amplamente acompanhado por gestores e analistas em momentos de maior incerteza política e econômica.