Nesta segunda-feira, 19 de outubro, o mercado de metais preciosos registrou uma nova sessão de perdas, com o ouro encerrando o dia em queda pressionado pelo fortalecimento do dólar e pelo aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Apesar de uma redução nos preços do petróleo, que trouxe algum alívio às preocupações inflacionárias, o ambiente permanece de cautela diante do panorama de política monetária nos EUA, especialmente com a proximidade da reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, prevista para a próxima semana.
Na divisão de metais da Bolsa de Nova York, a Comex, o ouro para entrega em dezembro fechou em baixa de 0,5%, cotado a US$ 4.160,1 por onça-troy. A prata, também para o mesmo mês, recuou marginalmente, com uma queda de 0,05%, cotada a US$ 57,27 por onça-troy. Esses movimentos refletem a oscilação do mercado diante das variações nos juros dos títulos do Tesouro dos EUA e do dólar, que influenciam diretamente o preço do ouro, considerado um ativo de refúgio.
Durante o pregão, o ouro demonstrou volatilidade, acompanhando as mudanças nos juros dos Treasuries e na cotação do dólar. Na última semana, os rendimentos dos títulos do governo americano tiveram uma ligeira recuada, mas nesta segunda-feira voltaram a subir, em um movimento que ocorre em meio ao período de silêncio de dirigentes do Fed, que aguardam a reunião de política monetária agendada para a semana seguinte. Essa expectativa contribui para a instabilidade nos mercados de metais preciosos, já que as decisões do Fed podem impactar significativamente as taxas de juros e a valorização do dólar.
Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, que analisa as probabilidades de mudanças na política de juros do Federal Reserve, os investidores atribuem apenas 15% de chance a uma elevação dos juros na reunião deste mês. Em contrapartida, as apostas de aumento de juros para a reunião de dezembro chegam a quase 89%. Essa disparidade reflete o cenário de incerteza e a expectativa de que o banco central norte-americano possa manter a política de juros inalterada na próxima semana, embora as projeções para o final do ano indiquem uma tendência de alta.
Além do cenário de juros, o mercado de commodities também foi influenciado pelo movimento do petróleo, que nesta segunda-feira apresentou uma queda mais acentuada inicialmente, impulsionada por um otimismo renovado nas negociações diplomáticas relacionadas ao conflito na Ucrânia. No entanto, posteriormente, o petróleo voltou a subir devido às tensões crescentes no Oriente Médio, o que, por sua vez, alimenta as preocupações com a inflação global.
Analistas do SG Markets destacaram que o ouro, atualmente, não consegue captar de forma efetiva a busca por ativos de segurança por parte dos investidores. Segundo eles, uma das razões para isso é que os preços do metal já haviam sido inflados anteriormente por entradas de recursos e compras especulativas, o que limita sua capacidade de reagir às condições de mercado atuais. Assim, o ouro permanece sob pressão, mesmo diante de fatores tradicionais que costumam sustentar sua valorização em momentos de incerteza econômica.