Os preços do petróleo registraram alta nesta terça-feira (20), operando acima de US$ 110 por barril, impulsionados por uma escalada nas tensões no Oriente Médio e por recentes incidentes que ameaçam a estabilidade da navegação na região. Os valores continuam a refletir os riscos geopolíticos e as ameaças à produção e ao transporte de petróleo na área, que vêm elevando as expectativas de uma possível interrupção no fornecimento global.
Na manhã desta terça-feira, o Brent, referência internacional para os preços do petróleo, atingiu momentaneamente US$ 111,99, o maior valor desde 18 de maio deste ano, quando a commodity chegou a US$ 112,72. Esse movimento de alta ocorre após o fechamento do pregão anterior, que, apesar de ter registrado uma máxima de US$ 110,70, terminou com uma queda. Atual às 10h07 (horário de Brasília), o barril de Brent apresentava uma variação positiva de 0,73%, sendo negociado a US$ 110,35. Já o WTI, petróleo de referência nos Estados Unidos, subia 2%, sendo cotado a US$ 105,77 na mesma hora.
As tensões na região aumentaram após declarações dos houthis, grupo rebelde apoiado pelo Irã no Iêmen, que afirmaram na segunda-feira (19) ter realizado ataques contra alvos estratégicos na Arábia Saudita. Entre os alvos mencionados estão instalações energéticas, aeroportuários e militares, incluindo uma instalação da Saudi Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e o aeroporto de Abha. As autoridades sauditas ainda não confirmaram oficialmente essas alegações, e a agência Reuters não conseguiu verificar de forma independente os relatos.
Além disso, um incidente de maior gravidade ocorreu no domingo, quando um petroleiro colidiu com uma mina naval no sul do Estreito de Ormuz, resultando em fogo e explosão no navio, conforme informou a Guarda Revolucionária do Irã, segundo a mídia iraniana. O estreito, uma das principais vias de transporte de petróleo do mundo, tem sido palco de tensões crescentes, sobretudo devido às ações iranianas que visam dificultar o fluxo de embarcações na região.
Dados da empresa de análise de mercado Kpler apontaram que o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz caiu para uma média de cerca de 8,5 milhões de barris por dia na semana passada, uma redução significativa em relação aos mais de 20 milhões de bpd registrados na semana anterior. Essa diminuição é atribuída ao aumento das ameaças à navegação, com pelo menos 10 incidentes confirmados envolvendo embarcações comerciais na última semana, segundo a análise. Analistas, como Bjarne Schieldrop, da SEB, preveem que esses aumentos temporários nos volumes de exportação podem ser de curta duração, uma vez que o Irã pode intensificar seus ataques antes das eleições legislativas nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, o que aumenta a incerteza no mercado.
No cenário político, o Egito manifestou disposição de apoiar a Arábia Saudita contra os houthis, embora o Parlamento egípcio tenha adiado para 26 de outubro uma votação que autorizaria o envio de forças armadas ao reino, caso seja solicitado. Na mesma linha, a região do Iêmen sofre com uma escalada de violência, tendo sido registrada uma ofensiva dos houthis na província de Shabwa, produtora de energia, que resultou na morte de 53 pessoas e ferimentos em cerca de 200, em um ataque a um campo de treinamento das forças de segurança locais. Essas ações reforçam o clima de instabilidade que tem influenciado diretamente os preços do petróleo, refletindo o receio de uma interrupção no fornecimento global proveniente de uma das regiões mais estratégicas do planeta.