As principais bolsas de valores da Europa encerraram o pregão desta quarta-feira (14) predominantemente em alta, impulsionadas pelo desempenho positivo de ações relacionadas à inteligência artificial (IA). O movimento de valorização foi especialmente reforçado pelos resultados sólidos e projeções otimistas divulgados pela holandesa ASML, maior fabricante mundial de equipamentos utilizados na produção de chips semicondutores. Apesar do otimismo em determinados setores, a incerteza geopolítica no Oriente Médio continuou a exercer pressão sobre o mercado, elevando os preços do petróleo e dificultando as negociações globais.
As bolsas de Londres, Frankfurt, Paris, Madri e Lisboa apresentaram variações positivas, refletindo o clima de otimismo em segmentos específicos do mercado. O índice FTSE 100, na Bolsa de Londres, fechou com alta de 0,70%, atingindo 10.724,86 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,25%, fechando em 25.322,48 pontos, enquanto o índice parisiense CAC 40 avançou 0,58%, encerrando aos 7.873,11 pontos. Já o mercado italiano, representado pelo FTSE MIB, registrou uma queda de 0,61%, fechando aos 49.753,84 pontos. Na Espanha, o Ibex 35 teve leve alta de 0,10%, fechando a 19.230,50 pontos, e em Portugal, o PSI 20 cresceu 0,38%, atingindo 9.415,66 pontos. Os números apresentados são preliminares.
A valorização das ações da ASML, que subiram 1,8%, foi um fator central para o otimismo geral, uma vez que a companhia holandesa revisou suas projeções para cima, impulsionada pela forte demanda por seus equipamentos. Essa expansão no setor de semicondutores reflete uma tendência de crescimento que tem atraído o interesse dos investidores, que agora focam não apenas na receita gerada, mas também na capacidade da cadeia de suprimentos de atender à demanda sem pressionar as margens de lucro, evitando excessos de investimento ou dificuldades de financiamento, conforme análises do Tickmill Group.
No cenário geopolítico, o conflito no Oriente Médio voltou a ganhar destaque após ataques dos houthis a um complexo da Saudi Aramco em Dhahran, na Arábia Saudita. Essas ações intensificaram as tensões na região e contribuíram para a alta nos preços do petróleo, que continuam sob pressão devido às incertezas na oferta e transporte de energia. Empresas do setor energético, como Shell, tiveram alta de 1,1%, enquanto TotalEnergies e BP registraram avanços de 0,5%. A situação no Oriente Médio também repercutiu em declarações de autoridades econômicas internacionais.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, abordou a questão do setor energético durante evento paralelo à reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela destacou que a inflação na zona do euro tem aumentado principalmente devido aos preços de energia, ressaltando que o conflito no Oriente Médio coloca uma pressão adicional sobre a oferta de petróleo e gás, impactando os custos de transporte e abastecimento.
Nos Estados Unidos, o economista-chefe do Banco da Inglaterra, Huw Pill, comentou que ainda não está claro se o Banco da Inglaterra precisará elevar a taxa básica de juros em um ponto porcentual completo para controlar a inflação, sinalizando uma postura de cautela diante do cenário econômico global. Essas declarações reforçam a complexidade das políticas monetárias diante das turbulências geopolíticas e econômicas atuais.