A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta sexta-feira, 9 de novembro, a assinatura de um acordo vinculante para a venda de sua usina de aços longos localizada na Alemanha, conhecida como SWT. O negócio foi avaliado em 550 milhões de euros, valor que reflete a intenção da empresa brasileira de reduzir seu nível de endividamento e consolidar sua estratégia de desinvestimentos internacionais. Segundo o fato relevante divulgado pela companhia, o acordo foi firmado com a Bipadosa, controladora do grupo siderúrgico espanhol Megasa, que assumirá o controle da unidade alemã.
A operação possui um período de exclusividade de 10 semanas para a assinatura de documentos definitivos e a conclusão do negócio, conforme informado pela CSN. A SWT foi adquirida pela companhia brasileira em 2012, quando o valor anunciado na ocasião foi de 482,5 milhões de euros, considerando a premissa de que a transação fosse realizada sem endividamento adicional. Desde então, a usina na Alemanha passou a integrar o portfólio internacional da CSN, com uma capacidade instalada de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas de aços longos por ano.
A venda da unidade alemã representa um passo importante na estratégia de desinvestimentos da CSN, que visa fortalecer sua posição financeira. Em comunicado, a empresa destacou que a alienação das ações da SWT é parte de seu programa de redução de dívida, que atualmente apresenta uma alavancagem financeira de 3,49 vezes e uma dívida líquida de cerca de R$ 42,1 bilhões, conforme dados do segundo trimestre deste ano. A companhia reforçou que a operação contribuirá para diminuir seu endividamento e melhorar seus indicadores financeiros.
Os resultados do segundo trimestre de 2023 indicaram que a SWT atingiu sua melhor marca de vendas desde o primeiro trimestre de 2022, com um volume de 205 mil toneladas de aço comercializadas. Apesar do bom desempenho, a venda da unidade alemã demonstra o foco da CSN em concentrar seus ativos em mercados considerados estratégicos, além de buscar parcerias e alternativas de negócios para suas operações siderúrgicas.
Além de sua presença na Alemanha, a CSN mantém operações em Portugal por meio da Lusosider, produtora de aços planos. A companhia, até então, não havia mencionado publicamente a SWT como alvo de venda, embora executivos tenham sinalizado, nos últimos trimestres, que a empresa estaria aberta a avaliar diferentes estratégias, incluindo parcerias e desinvestimentos em suas unidades siderúrgicas.
No cenário internacional, a CSN já vendeu ativos no mercado dos Estados Unidos, tendo transferido suas usinas para a Steel Dynamics em 2018. No Brasil, a companhia anunciou em agosto que recebeu propostas vinculantes por sua unidade de cimento, com valores estimados acima de R$ 10 bilhões, em um movimento de desinvestimento para fortalecer sua estrutura financeira. Atualmente, a CSN busca equilibrar sua operação, buscando reduzir o endividamento e otimizar seu portfólio de ativos, com foco na sustentabilidade financeira de longo prazo.