Na terça-feira, 29 de outubro, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou que o governo de Donald Trump considerará os limites tarifários estabelecidos em acordos comerciais ao analisar a possibilidade de implementar novas tarifas. A declaração ocorreu em meio a uma investigação em andamento sobre o excesso de capacidade industrial, especialmente na China, e sua influência nas relações comerciais internacionais. Greer destacou que a avaliação dessas medidas levará em conta os compromissos firmados em tratados comerciais, reforçando a importância dos acordos já existentes na mitigação de impactos negativos decorrentes do excesso de produção.
Antes de uma reunião dos ministros do Comércio do G20, realizada em Roma, Greer comentou que não desejava antecipar os resultados de uma investigação conduzida sob a Seção 301, que tem como foco a capacidade excessiva de manufatura na China e em outros parceiros comerciais relevantes. Ele afirmou que o relatório ainda está pendente, mas que o governo americano valoriza os acordos comerciais assinados e que esses serão considerados na análise das possíveis medidas futuras. Segundo Greer, muitos desses acordos, à medida que são implementados, têm contribuído para reduzir os efeitos do excesso de capacidade produtiva nesses países, ajudando a equilibrar as relações comerciais globais.
A administração Trump utilizou a presidência do G20 neste ano para reforçar sua posição acerca do problema do excesso de capacidade, especialmente na China, que é vista como uma fonte de distorções no comércio internacional devido à sua dependência das exportações para sustentar seu crescimento econômico. Em setembro, durante uma reunião dos ministros das Finanças do G20 em Asheville, nos Estados Unidos, todos os países, exceto a China, concordaram em adotar medidas para combater essas práticas. A União Europeia, por sua parte, está entre as 16 economias alvo da investigação, que também inclui Japão e Coreia do Sul.
O escritório do representante comercial dos EUA apontou os superávits comerciais da União Europeia, particularmente na Alemanha, com destaque para produtos químicos, maquinário e veículos, além do setor farmacêutico na Irlanda, como possíveis evidências de excesso de capacidade. Essas preocupações reforçam a postura dos Estados Unidos de que tais desequilíbrios podem estar associados a práticas comerciais que distorcem o mercado global.
No âmbito dos acordos comerciais, os Estados Unidos estabeleceram limites tarifários de 15% para produtos de parceiros como União Europeia, Japão e Coreia do Sul, além de terem eliminado grande parte das tarifas sobre produtos industriais desses países. Greer afirmou que, apesar dessas limitações, os Estados Unidos continuam a cumprir seus compromissos, reforçando que “um acordo é um acordo” ao ser questionado sobre o respeito às restrições tarifárias existentes.
A investigação sobre o excesso de capacidade foi iniciada em março de 2023, após a Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas globais impostas pelo governo Trump sob uma lei de emergência nacional, levando o governo a revisar suas políticas comerciais e tarifárias. O resultado dessa análise poderá influenciar futuras ações do governo americano no cenário internacional, especialmente em relação às políticas comerciais com a China e outros países considerados com excesso de capacidade produtiva.