O mercado de ofertas públicas iniciais (IPOs) para empresas do setor de data centers encontra-se em um momento de maior desafio, impulsionado por fatores econômicos, disputas corporativas e a maturidade crescente do segmento de infraestrutura de inteligência artificial (IA). Mesmo diante desse cenário, a operadora de centrais de processamento de dados DayOne, sediada em Cingapura, mantém seus planos de abrir capital ainda em novembro, segundo três fontes próximas ao assunto. A empresa atua no desenvolvimento e operação de data centers voltados para clientes de computação em nuvem e IA, e pretende formalizar seu pedido de registro junto à Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos em meados de outubro, com a expectativa de realizar a oferta pública no mês seguinte. A companhia, que não comentou oficialmente o assunto, busca captar até US$ 5 bilhões em sua IPO, podendo alcançar uma avaliação de aproximadamente US$ 20 bilhões, conforme informações da Reuters. A operação conta com o apoio de investidores como Coatue e Hillhouse, além de já ter levantado US$ 4,5 bilhões em uma rodada de financiamento Série C concluída em junho.
Entretanto, o cenário para empresas de data centers que pretendem abrir capital está mais complexo devido a recentes contratempos no setor. Entre eles, o adiamento do IPO da SB Energy, apoiada pelo SoftBank, e notícias de uma disputa envolvendo a Oracle, a Blue Owl e o projeto de data centers no Novo México, nos Estados Unidos. Essas questões evidenciam como o mercado de infraestrutura de IA está em fase de amadurecimento, com investidores cada vez mais atentos à qualidade e à estabilidade das operações das empresas. Segundo Ke Yan, chefe de pesquisa da Shenton Research, a distinção entre empresas com demanda já contratada e operacional e aquelas apenas planejando suas operações é fundamental para atrair interesse de investidores. Além disso, a disponibilidade de energia elétrica confiável, contratos de longo prazo e capacidade já em operação são fatores essenciais para o sucesso na captação de recursos.
O aumento das taxas de juros e a maior cautela dos investidores em relação às avaliações das empresas também contribuem para a maior dificuldade na obtenção de recursos no mercado de capitais. Desenvolvedores de data centers dependem de receitas sólidas de clientes de alta capacidade de crédito para garantir o pagamento de dívidas elevadas, especialmente diante do alto custo de instalações especializadas para IA, como racks de alta densidade e sistemas de resfriamento líquido. Neil Bear-Hetherington, diretor de mercados de capitais de data centers para a Ásia-Pacífico na CBRE, destaca que a identidade e a solidez financeira dos clientes tornaram-se critérios cada vez mais relevantes na avaliação de projetos, que podem demandar investimentos iniciais da ordem de bilhões de dólares.
No contexto atual, empresas que planejam abrir capital enfrentam um mercado de IPO mais exigente, com maior escrutínio sobre as operações de infraestrutura de IA. Essa conjuntura incentiva uma atuação rápida, enquanto a demanda dos investidores ainda permanece forte, para que as companhias possam aproveitar as oportunidades de mercado antes que fatores macroeconômicos e disputas corporativas agravem o cenário de captação de recursos.