O mercado financeiro brasileiro passou a registrar queda nesta sexta-feira, 25 de outubro, com o Ibovespa atingindo seu menor patamar em três semanas, ao redor de 182.771 pontos, enquanto o dólar comercial apresentou alta de 0,26%, cotado a R$ 5,2051. Os movimentos refletem a combinação de fatores internos, como a divulgação de dados de inflação e o cenário eleitoral, além de elementos externos, como a valorização do dólar no exterior.
A trajetória de queda do principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, foi influenciada inicialmente por uma abertura instável, mas rapidamente consolidou uma tendência de baixa. Às 11h50 (horário de Brasília), o índice apresentava uma queda de 0,65%. Este nível representa o ponto mais baixo desde o início de outubro, quando o índice chegou a ceder para aproximadamente 179 mil pontos, indicando uma volatilidade recente no mercado de ações brasileiro.
A divulgação do IPCA-15, índice considerado uma prévia da inflação oficial no Brasil, também impactou o humor dos investidores. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram uma aceleração de 0,70% na inflação de setembro, acima da baixa de 0,40% registrada no mês anterior. Tal resultado superou as expectativas de economistas ouvidos pela Reuters, que estimavam alta de 0,53%. A aceleração inflacionária reforça preocupações sobre a trajetória dos juros no país, podendo influenciar as próximas decisões do Banco Central em relação à política monetária.
Além disso, uma nova pesquisa Datafolha divulgada na noite de quinta-feira (24) trouxe informações que também contribuíram para o ambiente de cautela no mercado. Os dados indicam que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma vantagem numérica de dois pontos percentuais sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais, o que gera especulações sobre o cenário político e suas possíveis repercussões na economia.
No mercado de câmbio, a valorização do dólar no exterior também se refletiu na cotação da moeda brasileira. No horário de maior movimentação, o dólar à vista subia 0,26%, chegando a R$ 5,2051, enquanto o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas internacionais, cedia 0,30%, atingindo 100,97 pontos. Na sessão de quinta-feira, o dólar fechou em alta de 0,47%, cotado a R$ 5,1931.
No segmento de juros futuros, as taxas para vencimento em 2028 apresentaram leve recuo após duas sessões de alta. Por volta do meio-dia, os contratos de DI para esse prazo estavam negociados a uma taxa de 13,660%, uma redução de 0,11 ponto percentual, indicando uma leve acomodação do mercado em relação às expectativas de política monetária futura.
No setor de ações, os bancos brasileiros tiveram desempenho positivo, refletindo a percepção de estabilidade relativa. Os papéis do Itaú Unibanco, uma das maiores instituições financeiras do país, subiram cerca de 0,50%. Em contrapartida, as ações de Petrobras e demais petroleiras sofreram perdas após uma sequência de altas recentes. Os papéis preferenciais e ordinários da estatal caíram aproximadamente 1,5% e 1,3%, respectivamente, influenciados pela queda do petróleo no mercado internacional.
O petróleo Brent, referência mundial, encerrou a sessão com uma queda de 1,66%, cotado a US$ 104,94 por barril, após uma alta de 3% na véspera. A volatilidade do mercado de commodities é atribuída às incertezas nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio e à liberação da navegação no Estreito de Ormuz.
Por fim, a mineradora Vale também apresentou queda de 0,21%, após o minério de ferro manter-se praticamente estável na China, com o contrato para janeiro na Bolsa de Dalian subindo apenas 0,07%, para 712 iuanes (US$ 106,18) por tonelada. Na semana, o preço do minério despencou quase 1%, refletindo a instabilidade no mercado de commodities e as condições globais de demanda.