O Itaú Unibanco concretizou uma das maiores operações de locação de escritórios já registradas no mercado brasileiro, ao assinar contrato para ocupar as duas torres do complexo Esther Towers, localizado na Avenida Chucri Zaidan, na zona empresarial de São Paulo. A transação, concluída na noite da última quinta-feira (17), representa um movimento estratégico do banco para ampliar sua infraestrutura de escritórios, atendendo às demandas de crescimento de suas atividades e ao aumento na frequência do trabalho presencial, após anos de pandemia.
O empreendimento, pertencente à Eztec — incorporadora fundada pela família Zarzur —, foi objeto de antecipação pelo jornal Estadão/Broadcast no início deste mês. O contrato firmado entre as partes tem duração de dez anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos, e deve gerar uma receita de aproximadamente R$ 1,17 bilhão para a Eztec ao longo desse período, considerando os valores de fechamento na última sexta-feira. A operação prevê correção pelo IPCA e revisões periódicas de preços, práticas comuns em contratos de locação de grande porte. A intermediação foi realizada pelas consultorias CBRE, pelo lado da Eztec, e Binswanger Brazil, representando o Itaú.
A contratação atende à necessidade do banco de expandir sua área de escritórios para acomodar o crescimento de suas operações e reforçar o planejamento de sua infraestrutura diante do novo cenário de trabalho híbrido. Durante a pandemia, o Itaú havia devolvido diversos escritórios ao reduzir suas atividades presenciais. Em junho deste ano, o banco alterou suas regras de trabalho híbrido, estabelecendo uma frequência mínima obrigatória de três dias por semana nos escritórios para funcionários administrativos, com início dessa política previsto para o primeiro trimestre de 2028. Para os superintendentes, a exigência será de quatro dias, começando em janeiro de 2027, alinhando-se às diretrizes já vigentes para diretores.
Segundo o banco, a locação contempla cerca de 9.600 posições de trabalho e integra o plano de investimentos em infraestrutura anunciado recentemente, que visa preparar seus polos de operação para a evolução gradual do modelo de trabalho híbrido. A escolha pelo Esther Towers levou em consideração critérios operacionais, de infraestrutura e de atendimento às necessidades futuras, com foco na criação de ambientes que favoreçam a colaboração, troca de conhecimentos e integração entre equipes. O complexo se soma às operações já existentes na cidade de São Paulo.
O Itaú possui uma força de trabalho superior a 80 mil funcionários no Brasil, dos quais aproximadamente 40% atuam presencialmente, atendendo ao público ou desempenhando funções que dependem do suporte físico de escritórios ou agências. Os demais 60% operam em modelo híbrido, combinando trabalho remoto com a presença obrigatória nos escritórios, conforme as novas diretrizes.
A decisão do Itaú reflete um movimento mais amplo no setor financeiro, que vem reavaliando seus sistemas de trabalho após a pandemia. Outros bancos, como o Nubank, também têm investido na locação de imóveis após anunciar a redução do sistema de home office, reforçando a tendência de retomada do trabalho presencial em grande escala.
Para a Eztec, a locação do Esther Towers representa um passo estratégico em sua atuação no mercado imobiliário. A incorporadora iniciou a construção do complexo em 2019, tendo entregue a primeira torre, que recebeu o Habite-se, e planejando a entrega da segunda torre no terceiro trimestre de 2024. O nome do empreendimento é uma homenagem à Dona Esther Zarzur, esposa do fundador da Eztec, Seu Ernesto Zarzur, um dos principais empreendedores do mercado imobiliário de São Paulo, falecido em 2021.
A operação de locação contempla uma área de aproximadamente 91,4 mil metros quadrados de escritórios, equivalente a 12 campos de futebol, com um valor de aluguel pedido na faixa de R$ 120 a R$ 125 por metro quadrado. Após descontos por carência, o valor líquido fica próximo de R$ 106 por metro quadrado. A Eztec concedeu um período de carência de 6 a 12 meses para o pagamento de aluguel, alinhada às práticas de mercado. A empresa afirmou que a operação faz parte de sua avaliação contínua de estratégias para seus ativos, indicando que a venda do complexo, prevista para ocorrer após a locação, poderá ser acelerada devido ao sucesso da operação.
Estimativas de mercado apontam que o valor de mercado do Esther Towers gira em torno de R$ 1,5 bilhão. Como inquilino, o Itaú mantém prioridade na aquisição do complexo, que complementa suas operações na cidade de São Paulo. O banco já possui imóveis próprios, como o Centro Empresarial Itaú Unibanco, no Jabaquara, e o Edifício FL 3500, na Avenida Faria Lima, onde estão suas principais sedes administrativas e operações de destaque.