Nesta sexta-feira, o dólar comercial no Brasil passou a acelerar seus ganhos e ultrapassou a marca de R$ 5,20, atingindo o pico de R$ 5,2140 por volta das 12h19, uma alta de 0,97% na sessão. Até aquele momento, a moeda americana registrava um aumento de 0,87%, sendo cotada a R$ 5,2063 na venda. A valorização ocorreu após declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, feitas durante o simpósio de Jackson Hole, nos Estados Unidos, nas quais afirmou que o banco central americano terá “trabalho a fazer” caso a inflação nos Estados Unidos permaneça acima da meta de 2%.
Kevin Warsh, em seu discurso de estreia na conferência de Jackson Hole, destacou a necessidade de o Fed agir caso a inflação subjacente não demonstre sinais claros de convergência para o objetivo de 2%. Segundo suas palavras, “este é o meu treinamento: devemos estar confiantes de que a inflação básica está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho… nosso mandato… e nossa responsabilidade”. Essas declarações reforçaram a percepção de que o Fed pode elevar os juros já neste mês, o que impactou diretamente os mercados globais.
A expectativa de que o Federal Reserve possa aumentar a taxa de juros, atualmente na faixa de 3,50% a 3,75%, elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, levando investidores a ajustarem suas apostas de política monetária. Como consequência, o dólar se valorizou frente a diversas moedas, incluindo as principais divisas de países emergentes, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno. Essa valorização do dólar também influencia o mercado de câmbio brasileiro, já que o nível de juros nos EUA impacta os fluxos de investimentos internacionais, refletindo-se na cotação do real.
No mercado de ações brasileiro, o Ibovespa apresentou alta nos primeiros negócios desta manhã, embora com leve recuo de 0,36%, aos 174.509,86 pontos, às 12h20. Na véspera, o índice havia fechado com alta de 0,21%, aos R$ 5.1641. O cenário de juros elevados no Brasil, atualmente na taxa de 14% ao ano, ainda é visto como um fator favorável à entrada de dólares no país, dada a diferença de rentabilidade em relação a economias como a dos Estados Unidos e Japão. Entretanto, essa vantagem pode ser reduzida diante da possibilidade de novas altas de juros nos EUA e de eventuais cortes na taxa brasileira.
Além do mercado cambial e de ações, o calendário econômico do Brasil nesta sexta-feira inclui a divulgação dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de julho, prevista para às 14h30. Pela manhã, o IBGE informou que os preços ao produtor no país tiveram uma queda de 0,83% em julho em relação a junho, acumulando alta de 1,94% em 12 meses. Esses números indicam uma desaceleração na inflação de preços ao produtor, enquanto o dólar, às 9h29, subia 0,11%, cotado a 99,217 pontos no índice que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes. Em contrapartida, o dólar cedia frente a moedas de emergentes como a lira turca, o peso mexicano e a rupia indiana.
A movimentação dos mercados internacionais reflete o cenário de incertezas e expectativas em relação às próximas decisões de política monetária nos Estados Unidos, que, por sua vez, influenciam significativamente o mercado brasileiro.