O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) apresentou uma variação de 1,47% em setembro, resultado que ficou acima das projeções do mercado e do esperado, refletindo um aumento mais acentuado do que o registrado no mês anterior, quando houve uma queda de 0,51%. A divulgação foi feita nesta quarta-feira (16) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que destaca que o índice acumula uma alta de 3,29% no período de 12 meses, indicando uma tendência de aumento nos preços ao longo do último ano.
O resultado de setembro, que superou a expectativa de alta de 1,25% segundo pesquisa realizada pela Reuters, evidencia a influência de fatores externos e internos na inflação brasileira. Entre os componentes do índice, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), responsável por 60% do IGP-10, teve uma alta de 1,90%, revertendo a queda de 0,69% registrada em agosto. Este índice mede a variação de preços no atacado e é fortemente influenciado por fatores relacionados à produção e às commodities.
Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, a elevação nos preços dos produtos agropecuários, observada em setembro, reflete, em parte, as incertezas climáticas provocadas pelo fortalecimento do fenômeno El Niño. Ele explicou que, embora ainda não haja impacto direto na safra brasileira de grãos, cujo plantio da temporada 2026/27 está apenas começando, a expectativa de eventos climáticos mais intensos elevou o prêmio de risco no mercado. Essa perspectiva levou empresas consumidoras de grãos a anteciparem compras, o que pressionou os preços em agosto e setembro.
Dias também destacou a volatilidade nos preços das commodities da Indústria Extrativa, que têm reagido às tensões geopolíticas no Oriente Médio, contribuindo para a instabilidade no mercado de matérias-primas e, consequentemente, influenciando o índice de preços ao produtor.
No âmbito do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que representa 30% do índice geral, foi registrada uma alta de 0,44% em setembro, revertendo a queda de 0,47% observada em agosto. Entre os fatores que impulsionaram esse aumento, Dias destacou o reajuste na tarifa de energia elétrica residencial, que subiu 7% após o fim do efeito do bônus de Itaipu. Além disso, o reajuste na tabela de preços de cigarros contribuiu para uma alta de 16,47% no subitem, refletindo pressões específicas no setor de consumo.
Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) também apresentou aumento, de 0,50% em setembro, embora abaixo do crescimento de 0,65% registrado no mês anterior. O índice mede os custos na construção civil e é uma das componentes que compõem o cálculo do IGP-10, que é realizado entre os dias 11 do mês anterior e o dia 10 do mês de referência, abrangendo preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil.
Este cenário de alta no IGP-10 reforça a importância de monitorar as pressões inflacionárias no país, especialmente diante das incertezas climáticas e geopolíticas que continuam influenciando os preços em diversos setores da economia brasileira.