Economistas consultados pelo Ministério da Fazenda revisaram de forma significativa suas projeções para o déficit primário do governo central nos anos de 2026 e 2027, indicando uma melhora nas estimativas de resultado fiscal, embora mantenham a previsão de aumento na dívida pública nesses mesmos períodos. Essas informações constam do relatório Prisma divulgado nesta terça-feira, que traz uma análise atualizada das expectativas econômicas e fiscais do país.
De acordo com o documento, a mediana das projeções para o déficit primário em 2026 caiu de R$ 59,145 bilhões, em agosto, para R$ 52,271 bilhões, em setembro. Para o ano seguinte, a estimativa também apresentou melhora, passando de um déficit de R$ 55,000 bilhões para R$ 45,350 bilhões. Apesar da redução nas projeções de déficit, o relatório aponta que a dívida pública deve continuar em patamar elevado, com o governo prevendo que a dívida bruta atinja 83,20% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, frente aos 83,00% previstos anteriormente.
Para 2027, a expectativa de endividamento sobe ainda mais, com a previsão de que a dívida pública alcance 87,00% do PIB, ante uma estimativa anterior de 86,77%. Essa elevação reflete o cenário de maior endividamento esperado para os próximos anos, mesmo diante da melhora nas projeções de resultados primários. Os especialistas justificam que esse aumento na dívida ocorre apesar de uma evolução positiva no saldo primário, que tem apresentado melhorias ao longo dos anos, devido principalmente ao nível elevado da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,00% ao ano.
O relatório também destaca que a Selic, após quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, permanece inalterada na reunião do Banco Central desta semana, sem indicação clara sobre possíveis mudanças na política de juros na próxima reunião, que ocorre nesta terça e quarta-feira. Essa taxa elevada impacta diretamente os custos de rolagem da dívida pública, contribuindo para a manutenção de um nível alto de endividamento, mesmo com resultados fiscais mais favoráveis.
No âmbito da arrecadação, o Prisma elevou a expectativa para a receita líquida do governo central em 2023, que passou a estimar R$ 2,581 trilhões, contra R$ 2,574 trilhões previstos anteriormente. Para 2027, a previsão de receita líquida também foi ajustada para R$ 2,750 trilhões, frente a R$ 2,732 trilhões do levantamento anterior. Quanto às despesas, houve uma leve alta nas projeções: para 2023, o gasto previsto subiu de R$ 2,624 trilhões para R$ 2,625 trilhões, enquanto para 2027, a estimativa passou de R$ 2,787 trilhões para R$ 2,792 trilhões.
Esses ajustes nas projeções refletem uma visão mais otimista em relação ao déficit primário, embora o aumento na dívida pública seja uma preocupação constante do cenário fiscal brasileiro. O governo mantém a meta de alcançar superávits primários de 0,25% do PIB em 2026 (equivalente a R$ 34,3 bilhões) e de 0,50% em 2027 (R$ 73,2 bilhões), considerando uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB, o que reforça o compromisso com a disciplina fiscal, mesmo diante de desafios de endividamento e juros elevados.