A fabricante de chips americana Micron Technology divulgou nesta sexta-feira, 11 de outubro, que seus colaboradores em Taiwan receberão bônus que variam de 35 a 68 meses de salário, referentes ao exercício fiscal de 2026. A iniciativa ocorre em meio a uma disputa trabalhista em andamento com sindicatos que representam cerca de dois terços da força de trabalho na ilha, considerada um dos principais polos de produção da companhia.
A empresa afirmou que esses bônus representam os maiores de sua história e que mais de 60 mil funcionários ao redor do mundo serão beneficiados com os pagamentos, considerados uma recompensa por um ano considerado excepcional para a companhia. O anúncio foi feito após sindicatos locais sinalizarem a possibilidade de uma greve ampla, apoiada por seus membros, devido a demandas relacionadas às condições de remuneração.
Segundo comunicado do sindicato de Taoyuan, uma das principais entidades representativas dos trabalhadores em Taiwan, ainda não houve consenso com a Micron na resolução do impasse. A entidade reivindica que 15% do lucro operacional da empresa seja destinado ao pagamento de bônus aos funcionários, além de buscar mudanças no sistema de remuneração. O sindicato declarou que, na ausência de uma resposta favorável por parte da companhia, a possibilidade de uma greve continuará sendo avaliada.
A Micron detalhou que os incentivos incluem um bônus em dinheiro de aproximadamente 1 milhão de dólares taiwaneses (equivalente a US$ 31.653) para funcionários contratados antes de 29 de agosto de 2025, referente ao exercício fiscal de 2026. Para engenheiros em início de carreira, a remuneração total média será de cerca de 3,4 milhões de dólares taiwaneses, com aproximadamente 2,9 milhões em dinheiro, enquanto o restante será composto por ações da empresa concedidas no momento da assinatura do benefício.
Além dos bônus específicos, todos os funcionários receberão uma concessão anual de ações, reforçando o compromisso da Micron em manter seus colaboradores motivados e alinhados aos resultados da companhia. Atualmente, a empresa emprega aproximadamente 15 mil pessoas em Taiwan, uma de suas localidades mais estratégicas de produção, e afirma ter investido mais de 1,6 trilhão de dólares taiwaneses na ilha ao longo dos anos.
A iniciativa da Micron ocorre em um contexto de preocupação do setor de semicondutores global, especialmente após a experiência da rival sul-coreana Samsung Electronics, que em maio cancelou uma greve planejada de até 48 mil funcionários sindicalizados, após negociações de última hora. Na ocasião, a Samsung criou um fundo de bônus de 10,5% do lucro operacional de sua divisão de chips, condicionado ao atingimento de metas de rentabilidade, numa tentativa de evitar paralisações que poderiam afetar o fornecimento mundial de semicondutores.
Os sindicatos da Micron em Taiwan já haviam apontado anteriormente que programas de participação nos lucros de empresas como Samsung e SK Hynix ampliaram a disparidade salarial entre os trabalhadores sul-coreanos e seus pares na fabricante de Taiwan. A disputa atual evidencia a crescente pressão por melhores condições de remuneração no setor de tecnologia, que enfrenta desafios tanto na manutenção da produção quanto na gestão de demandas trabalhistas.