A empresa de inteligência artificial Anthropic anunciou nesta quinta-feira (10) que, ao longo dos últimos oito meses, conseguiu impedir diversas operações de uso malicioso de seus modelos de IA, especialmente do chatbot Claude. Entre as ações bloqueadas, destacam-se uma campanha suspeita de espionagem com possíveis ligações à Rússia e iniciativas conduzidas por companhias chinesas de tecnologia, que tentavam extrair e replicar recursos do sistema de inteligência artificial da Anthropic.
Segundo o relatório de ameaças divulgado pela companhia, criminosos e hackers apoiados por governos têm utilizado cada vez mais a IA não apenas para facilitar tarefas, mas também para planejar e executar ataques cibernéticos de grande escala. A Anthropic destacou que, na maioria dos casos, esses operadores humanos atuam como supervisores, orientando as ações das máquinas, ao invés de operarem diretamente as ferramentas. A utilização da IA, contudo, ultrapassou a simples interação de perguntas e respostas, envolvendo estruturas complexas de múltiplos agentes que coordenam tarefas específicas de forma automatizada.
A empresa informou que conseguiu frustrar operações originadas de sete laboratórios chineses durante esse período. Entre os nomes citados estão a gigante de tecnologia Alibaba, além de Moonshot, DeepSeek e Xiaomi. De acordo com a Anthropic, operadores ligados à Alibaba conduziram o que foi classificado como o maior ataque de “destilação ilícita” já detectado, cujo objetivo seria extrair recursos do modelo Claude para aprimorar os modelos Qwen, de propriedade da própria Alibaba. A destilação ilícita refere-se ao processo de treinar modelos menores usando os resultados de modelos maiores, com o intuito de reduzir custos de treinamento de novas ferramentas de IA.
A análise da Anthropic aponta que, entre maio e julho de 2026, houve mais de 151 milhões de interações atribuídas à Alibaba, com um pico de quase 3 milhões de trocas diárias, originadas de mais de 3.500 contas fraudulentas. Esses dados indicam uma tentativa sistemática de extrair informações do chatbot, que, ao invés de responder a perguntas de forma isolada, foi utilizado como uma ferramenta de coleta de dados para melhorar outros modelos de IA.
Além das ações chinesas, a Anthropic também identificou atividades de grupos de hackers com técnicas compatíveis às do grupo russo Midnight Blizzard. Essas operações incluíram ataques de phishing, sequestro de redes Wi-Fi de hotéis e invasões a contas do WhatsApp, direcionados a alvos do governo, forças armadas e diplomatas na Ucrânia. A empresa revelou que esses hackers usaram IA para criar um sistema que detectava automaticamente quando seu malware era sinalizado por sistemas de defesa, reescrevendo o código de forma a escapar da detecção, demonstrando o grau de sofisticação dessas operações.
A divulgação reforça a crescente preocupação com o uso indevido de inteligência artificial por atores maliciosos e a necessidade de mecanismos de defesa mais robustos para evitar o uso de tecnologias avançadas em ações de espionagem, ciberataques e outras atividades ilícitas.