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Irã admite impacto econômico das sanções dos EUA e reforça resistência em meio à guerra no Golfo

•REUTERS/Stringer

Os líderes iranianos reconheceram publicamente os efeitos adversos das sanções impostas pelos Estados Unidos, em meio ao contexto de conflito no Golfo Pérsico. O líder supremo do país, Aiatolá Ali Khamenei, que não tem aparecido em público desde um ataque que o feriu em 28 de fevereiro, após a morte de seu predecessor, afirmou que o governo deve enfrentar com seriedade os desafios econômicos, incluindo inflação, desemprego, controle de preços e gestão de bens e serviços. O presidente iraniano, por sua vez, declarou que o comércio exterior do país reduziu-se em aproximadamente 33%, reflexo das sanções e do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.

Apesar das dificuldades, Teerã mantém sua postura de resistência e não sinaliza recuo na disputa. O governo iraniano prometeu continuar a defesa de seus interesses estratégicos, especialmente na manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz, uma via navegável de importância global que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Essa região é considerada vital para o comércio mundial de petróleo, transportando cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) global antes do início do conflito.

Seis meses após o início oficial da guerra, envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, as negociações diplomáticas encontram-se em impasse. Washington intensificou suas ações de pressão financeira, promovendo o que denominou de “Dia D econômico”, alertando países parceiros a cortarem relações comerciais com Teerã sob risco de sanções secundárias. Contudo, o Departamento do Tesouro dos EUA evitou aplicar penalidades severas a importantes parceiros comerciais do Irã, como China e Índia, com o objetivo de evitar repercussões na economia global.

Sanções específicas também foram impostas ao Banco Misr do Egito, por realizar negócios com o Irã, incluindo uma regra que impediria suas operações em dólares americanos nos Emirados Árabes Unidos. O Banco Central do Egito declarou estar em contato com autoridades americanas, esclarecendo que a medida se restringia às transações em dólares do Banque Misr UAE. O banco egípcio afirmou estar analisando a notificação, enquanto sua filial nos Emirados continuava a prestar serviços bancários.

Além disso, o Departamento do Tesouro sancionou uma entidade sediada em Hong Kong e uma pessoa ligada ao Banco Melli do Irã. Essas ações agravaram ainda mais o impacto econômico das sanções, que já elevam a inflação anual no Irã para 66%, segundo dados oficiais do país.

O líder supremo, Khamenei, que não aparece em público desde o incidente, reforçou a determinação de seu governo em resistir às pressões econômicas, destacando a necessidade de enfrentar a cadeia de desafios, incluindo inflação e desemprego. O ministro das Relações Exteriores, Masoud Pezeshkian, afirmou que as exportações e importações iranianas caíram quase 35% devido às sanções e ao bloqueio naval dos portos iranianos. No entanto, ele destacou que o Irã conseguiu vender cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante o breve período em que Washington permitiu a venda de petróleo iraniano, após um memorando de entendimento assinado em junho.

Este documento, que buscava oferecer alívio imediato às sanções e a liberação de ativos congelados, foi rapidamente desfeito por divergências internas, especialmente quanto ao status do Estreito de Ormuz. Pezeshkian defendeu a retomada do acordo provisório, afirmando que o país pode resolver seus problemas por meio do entendimento, que também previa o reconhecimento do direito do Irã de livre navegação na região.

Enquanto os Estados Unidos intensificam sua campanha de pressão econômica, outros países buscam retomar iniciativas diplomáticas para encerrar o conflito. O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, reuniu-se com líderes iranianos em Teerã na semana passada, destacando a importância de retornar ao livre trânsito pelo Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, descreveu as conversas como “criativas”, reforçando a estratégia de diálogo coordenado.

O Irã afirmou que a diplomacia e a defesa constituem ações complementares para proteger seus interesses nacionais e sua segurança territorial, prometendo seguir ambas de forma equilibrada. O estreito, que antes transportava uma quinta parte do petróleo mundial, permanece uma área de tensão. Comandantes militares dos EUA afirmam que as minas marítimas, colocadas meses atrás pela Guarda Revolucionária Islâmica, foram removidas, enquanto o governo iraniano nega que o estreito esteja aberto para navegação internacional, alegando que as afirmações de Washington são falsas. A Marinha iraniana reafirmou que a hidrovia continua fechada para navios sem permissão do Irã, mantendo a posição de resistência diante do cenário de conflito.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade