A varejista de moda Shein anunciou sua intenção de iniciar negociações na Bolsa de Hong Kong, com previsão de realizar sua oferta pública inicial (IPO) em 1º de setembro, após adiamento da data inicialmente prevista para agosto. A operação busca levantar aproximadamente US$ 1,7 bilhão, o que colocaria a avaliação de mercado da companhia em torno de US$ 27 bilhões, significativamente abaixo do pico de quase US$ 100 bilhões atingido pela empresa durante seu auge de valorização.
O IPO representa o processo pelo qual uma empresa disponibiliza suas ações ao público pela primeira vez, permitindo que seus papéis sejam negociados em bolsa e, posteriormente, no mercado secundário, onde investidores compram e vendem ações entre si. A estreia na bolsa oferece às companhias uma oportunidade de captar recursos para financiar expansão, pagar dívidas ou outros objetivos estratégicos, sendo uma decisão que, muitas vezes, atende mais às necessidades internas da empresa do que às condições favoráveis do mercado para investidores.
Segundo Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e apresentador do programa Resenha do Dinheiro, a decisão de abrir capital está relacionada à busca por recursos adicionais, e não necessariamente ao melhor momento para os investidores. Ele explica que a empresa avalia o momento em que consegue levantar maior quantidade de capital, considerando interesses de acionistas e bancos coordenadores da oferta. Assim, a precificação das ações e o momento da oferta dependem de fatores como as perspectivas de crescimento da companhia, o cenário econômico, a demanda dos investidores e os riscos inerentes ao negócio.
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que as empresas tendem a escolher momentos de maior otimismo do mercado para realizar o IPO. Ela explica que, em períodos de crise ou cenário de maior incerteza, as companhias podem optar por adiar a estreia para evitar uma venda de ações a preços baixos. Quando o mercado demonstra disposição de compra, a tendência é de maior interesse na oferta, facilitando a captação de recursos e o sucesso do processo.
Para investidores que preferem evitar o risco de participar de uma oferta pública inicial, uma estratégia recomendada é aguardar a abertura das negociações no mercado secundário. Assim, é possível observar a reação do mercado, entender o que agradou ou desagradou os investidores e avaliar se a compra das ações é conveniente. Segundo Pascowitch, a análise fundamentalista continua sendo o principal critério na decisão de investimento, permitindo ao investidor determinar se o preço oferecido está compatível com os fundamentos da empresa.
No Brasil, para participar de um IPO, o investidor deve possuir conta em uma corretora ou banco que esteja envolvido na distribuição das ações. É necessário fazer uma reserva de quantidade de ações ou valor a ser investido durante o período de oferta, com a possibilidade de rateio, caso a demanda supere a quantidade de ações disponíveis. Bernardo Pascowitch esclarece que, para ofertas realizadas na bolsa brasileira, o investidor deve verificar os coordenadores da oferta e realizar a reserva por meio de sua corretora, podendo receber mais ou menos ações dependendo da demanda.
Para investidores brasileiros interessados em empresas estrangeiras, uma alternativa é abrir conta em corretoras internacionais que ofereçam acesso às ofertas de IPO no exterior. Além disso, a B3, bolsa de valores brasileira, disponibiliza BDRs (Brazilian Depositary Receipts), certificados que representam ações de companhias emitidas no exterior e negociados aqui no Brasil. Como exemplo, a B3 lançou, em junho deste ano, o BDR da SpaceX, no mesmo dia em que suas ações começaram a ser negociadas nos Estados Unidos, facilitando o acesso de investidores locais às empresas estrangeiras sem necessidade de remessas internacionais.
Para quem prefere não participar diretamente de uma oferta pública, fundos de investimento e ETFs podem ser alternativas para obter exposição a setores ou empresas específicas. Esses fundos podem adquirir ações de companhias recém-listadas após a estreia, dependendo de suas estratégias e regras internas, embora isso não signifique participação na IPO propriamente dita.
A análise de oportunidades de IPO e investimentos relacionados é frequentemente abordada em programas especializados, como o Resenha do Dinheiro, apoiado pela B3 e pela BlackRock. O programa, apresentado por profissionais como Thiago Godoy, Marilia Fontes e Bernardo Pascowitch, busca oferecer uma abordagem acessível e esclarecedora sobre educação financeira e temas de economia, com episódios semanais disponíveis no canal do CNN Money no YouTube e na programação da CNN Brasil.