O Governo de Goiás anunciou a realização de uma licitação, marcada para o dia 25 de agosto, com o objetivo de contratar empresas especializadas na estruturação, administração e gestão de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) estadual. A iniciativa faz parte de uma estratégia de valorização do patrimônio público e de estímulo ao desenvolvimento urbano e econômico no estado.
A seleção das empresas responsáveis por esse projeto será conduzida de acordo com as normas do regulamento do fundo e as diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o secretário de Estado da Administração de Goiás, Francisco Sérvulo Nogueira, a gestão do FII permitirá ao gestor profissional prospectar o mercado, receber propostas de construtoras, incorporadoras, investidores e outros agentes interessados em desenvolver os ativos imobiliários públicos. Assim, a iniciativa busca transformar imóveis ociosos em empreendimentos rentáveis, contribuindo para a geração de receita e o crescimento sustentável do estado.
Para fundamentar o projeto, estudos realizados pelo Instituto Brasileiro de Administração Pública (IBAP) avaliaram um total de 17 imóveis considerados passíveis de compor o fundo. Essas propriedades, que representam um valor estimado de R$ 834 milhões, possuem potencial de gerar um Valor Geral de Vendas (VGV) de até R$ 12,3 bilhões, considerando a venda dos futuros empreendimentos. A análise considerou aspectos como vocação dos terrenos, localização, potencial imobiliário e possibilidades de uso, com o objetivo de identificar a viabilidade de cada ativo para o desenvolvimento de projetos comerciais, residenciais ou condomínios.
O estudo do IBAP revelou que esses imóveis representam um investimento inicial importante para testar o modelo de gestão e avaliar o potencial de geração de receita a partir de patrimônios públicos atualmente subutilizados. O diretor-presidente da entidade, Daniel Guimarães, destacou que, além do valor atual, o patrimônio público pode ser valorizado ao longo do tempo por meio de empreendimentos planejados, ampliando a capacidade de geração de receita do governo.
Caso os projetos alcancem o potencial estimado, a receita para o Estado de Goiás pode chegar a até R$ 1,8 bilhão, superando a simples venda direta dos imóveis. Os terrenos selecionados oferecem possibilidades de construção de imóveis comerciais, prédios residenciais e condomínios, o que reforça o potencial de transformação dos ativos públicos em empreendimentos lucrativos.
A elaboração do Fundo de Investimento Imobiliário ocorre após a sanção da Lei Estadual nº 24.387/2026, que estabeleceu novas diretrizes para a gestão do patrimônio imobiliário de Goiás. A licitação prevê a contratação de um consórcio composto por um administrador fiduciário autorizado pela CVM e um gestor profissional habilitado, responsáveis pela estruturação, operação e administração do fundo.
De acordo com o secretário Sérvulo Nogueira, a iniciativa visa superar a lógica tradicional de alienação de imóveis ociosos, buscando promover o desenvolvimento urbano e econômico de forma planejada, transparente e sustentável. A atuação do gestor profissional será fundamental para definir as vocações de cada imóvel, levando em consideração as demandas do mercado, a aptidão dos terrenos, o retorno estimado e as alternativas de desenvolvimento. O Estado continuará a exercer o papel de definir as diretrizes de política patrimonial e proteger o interesse público ao longo de todo o processo.