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Alta nos preços do petróleo mantém pressão inflacionária na América Latina, apesar de queda temporária nos combustíveis no Brasil

•18 de fevereiro de 2025REUTERS/Eli Hartman

O mercado de petróleo internacional mantém sua trajetória de alta, com o barril de Brent fechando nesta segunda-feira a US$ 92,17, acima de US$ 90 pelo segundo dia consecutivo. Essa valorização reflete o impacto das tensões no Oriente Médio e reforça a persistência do choque energético na região, que, embora tenha apresentado uma breve desaceleração em junho, continua contribuindo para o aumento da inflação relacionada à energia na América Latina.

Dados do levantamento da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE) indicam que, em junho, a inflação energética na região atingiu 8,03% na variação anual, mais do que o dobro da inflação geral, que ficou em 4,49%. Essa diferença expressa como o aumento nos preços de energia, especialmente de combustíveis, tem se intensificado nos últimos meses. Em março, a inflação energética era de apenas 2,12%, o que demonstra uma escalada rápida e significativa nos três meses seguintes, impulsionada principalmente pelas tensões geopolíticas que afetaram o petróleo, o refino e o transporte na região.

A alta nos preços dos combustíveis, particularmente gasolina e diesel, é um fator central nesse aumento. Segundo dados da OLACDE, o preço da gasolina na média dos países latino-americanos passou de US$ 1,19 por litro em fevereiro para US$ 1,38 em junho, enquanto o diesel subiu de US$ 1,12 para US$ 1,30 no mesmo período. Nas duas primeiras semanas de agosto, esses valores permaneceram estáveis, indicando que, apesar de uma breve fase de acomodação, os preços permanecem elevados. Essa estabilização, contudo, não é suficiente para diminuir o impacto dos preços internacionais do petróleo na economia regional.

A relação entre o preço do barril de petróleo e os preços na bomba de combustível não é direta ou automática. Diversos fatores, como estoques adquiridos anteriormente, custos de refino, transporte, seguros, impostos e variações cambiais, criam defasagens que dificultam a transmissão imediata dessas oscilações ao consumidor final. Para o setor de transporte e atividades econômicas dependentes de diesel na América Latina, essa defasagem é especialmente relevante, uma vez que o preço do combustível influencia custos de frete, agricultura, mineração e indústria. Quando os preços do diesel permanecem elevados, há maior risco de transmissão desses custos para alimentos, mercadorias e serviços, alimentando uma pressão inflacionária mais ampla.

No Brasil, a situação apresenta um contraste importante. O índice de preços ao consumidor, medido pelo IPCA, subiu apenas 0,16% em junho e acumulou 4,64% ao longo de 12 meses. Nesse mesmo período, os preços dos combustíveis recuaram 0,48%, com o diesel caindo 1,19% e a gasolina 0,12% em junho. Esses números indicam que o impacto do choque energético regional não foi tão pronunciado no Brasil, devido a fatores internos que atuam como amortecedores.

Um desses fatores é a trajetória do etanol, que apresentou queda de 3,09% em junho, acumulando uma redução de 3,98% no primeiro semestre e passando a registrar uma deflação de 0,32% em 12 meses. A significativa redução no preço do biocombustível reforça o papel do etanol como um elemento de contenção da inflação de energia no Brasil, embora não elimine a influência das cotações internacionais de petróleo nos preços internos.

A participação de combustíveis importados no mercado brasileiro também revela nuances importantes. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, em junho, o diesel importado representou 11,86% das vendas nacionais, uma redução em relação aos 26,65% de um ano antes. Já na gasolina, a participação de derivados externos aumentou de 6,81% para 12,85% no mesmo período. Essas mudanças refletem a combinação de produção doméstica de petróleo, o uso de biocombustíveis e estratégias de diversificação de fontes para mitigar a exposição às oscilações internacionais.

Apesar desses fatores internos, o Brasil permanece vulnerável às variações do mercado global de petróleo, uma vez que derivados e câmbio continuam a influenciar os preços internos. Com o Brent acima de US$ 90, o risco de que a alta nos preços do petróleo se reflita de forma mais ampla na inflação brasileira ainda é uma preocupação para a política econômica.

A questão central para as autoridades econômicas é se o impacto da energia permanecerá restrito ao setor de combustíveis ou se começará a se disseminar por outros componentes da inflação, ampliando o efeito de choques externos na economia doméstica. Os dados da OLACDE indicam que a pressão inflacionária relacionada à energia já ganhou dimensão regional, e o comportamento recente do petróleo sugere que esse risco permanece presente, exigindo atenção contínua das políticas econômicas.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade