Quatro brasileiros detidos na Islândia após uma operação da Guarda Costeira local durante protesto contra a caça comercial de baleias retornaram ao Brasil entre os dias 18 e 20 de agosto. Victor Calixto chegou ao país no dia 18, seguido por Lucas Barbosa e Rui Amorim, em 19 de agosto, e Vitor Young, no dia 20. A prisão ocorreu após uma abordagem do órgão islandês ao navio de ativistas que participavam da missão de monitoramento e tentativa de impedir a caça às baleias-fin, uma espécie classificada como em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A ação aconteceu na data de 30 de julho, quando o grupo de ativistas, que integrava uma embarcação auxiliar conhecida como Bandero, interceptou uma das últimas duas embarcações autorizadas a realizar a caça comercial de baleias na Islândia. Durante a operação, a Guarda Costeira islandesa utilizou helicópteros, drones e agentes armados para assumir o controle do navio dos ativistas, conduzindo-o até Reykjavík, capital do país. A intervenção ocorreu no contexto da Operação 86, uma iniciativa organizada pela ONG internacional Captain Paul Watson Foundation, envolvendo 21 tripulantes de 11 países, com o objetivo de monitorar e impedir os abates de baleias-fin na região.
Desde a detenção, os brasileiros enfrentaram dificuldades para retornar ao Brasil devido às exigências do governo islandês. Segundo apuração da CNN Brasil junto a fontes envolvidas no caso, a liberação dos ativistas dependia de um voo direto ao Brasil, que só foi possível após a intervenção de autoridades locais e a disponibilidade de uma aeronave adequada. Uma particularidade do procedimento de deportação é a necessidade de acompanhamento de um policial islandês até o destino final, o que dificultou o retorno dos brasileiros em comparação com outros 16 tripulantes de diferentes nacionalidades, que já haviam sido deportados ou tiveram seus processos de saída do país encaminhados.
Durante o retorno, Lucas Barbosa, cozinheiro do navio, relatou que, ao conversarem com policiais durante o procedimento de imigração, notaram uma postura diferenciada de algumas agentes femininas. Segundo ele, elas demonstraram uma visão mais compreensiva e até mesmo de admiração pelo ato de protesto, considerando-o, em suas palavras, “um ato heroico”. Lucas afirmou que, apesar de reconhecerem que a caça às baleias faz parte da cultura islandesa, as policiais também pareciam não concordar com a prática, o que reforça o caráter de contestação do grupo às atividades de caça.
A ação de interceptação do Bandero, que foi lançado para impedir a atividade do navio baleeiro, ocorreu após a localização de uma das duas embarcações autorizadas a realizar a caça na temporada. A embarcação foi interceptada e levada até Reykjavík, onde permanece apreendida pelas autoridades locais, sem previsão de liberação. A operação de monitoramento, que faz parte de uma iniciativa internacional, busca evitar a mortandade de baleias-fin, cuja população está ameaçada de extinção. Nesta temporada, pelo menos 45 desses animais foram mortos na Islândia, o que acende o alerta para os impactos ambientais dessa atividade.
Especialistas em conservação, como a bióloga Larissa Uema, destacam a gravidade da situação, uma vez que a baleia-fin apresenta um ciclo reprodutivo lento, levando pelo menos seis anos para atingir maturidade sexual. Seu período de gestação, que dura aproximadamente 11 a 12 meses, geralmente resulta em um único filhote por gestação, o que torna a crescimento populacional extremamente lento. A continuidade da caça coloca em risco a sobrevivência da espécie, reforçando a importância de ações de proteção e fiscalização internacional.