O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou neste sábado que o país irá aplicar tarifas sobre diversas importações americanas a partir de 8 de setembro, em uma medida de retaliação às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, que entraram em vigor à meia-noite de sexta-feira. A decisão ocorre após dias de negociações infrutíferas entre os dois países, que não conseguiram chegar a um acordo comercial, agravando a relação já delicada entre os parceiros comerciais e aliados de longa data. Essa tensão também compromete o futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que há 18 meses vinha garantindo a maior parte das exportações canadenses para os EUA.
As tarifas americanas, que abrangem cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses, atingiram setores como vinho, móveis, laticínios, cimento, vestuário, varas de pesca e equipamentos de hóquei. Esses produtos representam uma parcela significativa do comércio bilateral, e a imposição das tarifas não contempla isenções previstas pelo USMCA, reforçando a postura de resistência do Canadá frente às medidas de Washington. Em uma coletiva de imprensa realizada em Ottawa, Carney afirmou que o Canadá adotará uma política de retaliação equivalente às tarifas americanas, ou seja, igualará as tarifas dólar por dólar, como forma de proteger os interesses de trabalhadores, agricultores, famílias e empresas canadenses.
Retaliações e setores afetados
As tarifas retaliatórias canadenses terão impacto sobre setores como aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, celulose, papel e eletrônicos. Além disso, o governo do Canadá indicou que essas medidas incluirão produtos atualmente sujeitos às tarifas impostas sob as Seções 232 e 338, que tratam de questões relacionadas à segurança nacional e comércio injusto. Carney destacou que a resposta do Canadá visa defender suas indústrias e evitar prejuízos adicionais às exportações, que já vêm sendo afetadas por medidas protecionistas dos EUA.
O primeiro-ministro também reforçou que o Canadá não aceitará as condições oferecidas pelos Estados Unidos e que não cederá às exigências americanas, deixando claro que a medida de retaliação é uma resposta direta às ações de Washington. A imposição das tarifas ocorre em um momento de crescente tensão comercial entre os dois países, que tentam negociar uma solução que ainda não foi alcançada, enquanto o impacto econômico da disputa se estende por diversos setores da economia canadense.
Essa escalada na disputa comercial reflete o agravamento das relações bilaterais, que já estavam tensas desde a implementação das tarifas americanas. A medida de retaliação do Canadá demonstra a disposição do país em defender seus interesses diante de uma política de tarifas que, segundo Carney, prejudica trabalhadores, agricultores e empresas canadenses. O cenário atual aponta para um aumento na complexidade das negociações comerciais entre os dois países, com possíveis repercussões para toda a região do NAFTA/USMCA.