O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quarta-feira, 19 de outubro, que o setor privado brasileiro não apresentou reclamações formais ou preocupações relativas à aplicação da Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos. Em uma entrevista coletiva realizada no Ministério da Fazenda, Durigan reforçou que o governo não recebeu demandas específicas do empresariado nesse sentido, minimizando o impacto das medidas adotadas até o momento.
Durigan destacou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem atuado com cautela na negociação das tarifas e enfatizou o compromisso de buscar diálogo e entendimento com os Estados Unidos. Segundo ele, há uma disposição plena para a negociação por parte do Brasil, e o próprio presidente Lula chegou a afirmar que conversaria com o presidente norte-americano Donald Trump, demonstrando a intenção de manter canais abertos para a diplomacia.
O ministro também frisou que a postura brasileira busca garantir soberania e dignidade na condução dessas negociações. Ele afirmou que o governo está atento às possibilidades de diálogo e que, apesar de não ter recebido pedidos específicos do setor privado para ações de contenção do tarifaço, há iniciativas em andamento para ampliar a capacidade de enfrentamento da situação.
Dentre essas ações, Durigan mencionou a elaboração de uma nova versão do Plano Brasil Soberano, que visa fortalecer a posição do país em negociações comerciais e diplomáticas, além da extensão de benefícios fiscais, como o drawback, para alguns setores estratégicos da economia brasileira. Ele ressaltou que, embora algumas medidas possam não ser suficientes para resolver todas as dificuldades de imediato, o governo está empenhado em fazer o máximo possível dentro das ferramentas disponíveis.
Questionado sobre o impacto do tarifaço e se houve pedidos do setor privado para medidas de contenção, Durigan negou qualquer demanda específica, mas afirmou que o governo tem recebido mensagens de gratidão e esperança de que, após o período eleitoral e eventuais tentativas de interferência, o Brasil possa retomar o curso normal da diplomacia. Ele também reforçou que o governo está atento às possibilidades de diálogo e busca manter uma postura de diálogo e resistência, sempre com foco na preservação da soberania nacional.
A declaração do ministro ocorre em um momento de tensões comerciais internacionais, quando as tarifas impostas pelos Estados Unidos têm gerado preocupações no setor produtivo brasileiro. Apesar disso, o governo federal mantém uma postura de cautela e busca fortalecer suas estratégias de negociação, priorizando o diálogo diplomático e ações que possam minimizar os efeitos econômicos do conflito comercial.