O fundador da gigante imobiliária chinesa Evergrande, Hui Ka Yan, foi condenado nesta quinta-feira, 20 de outubro, à prisão perpétua por um tribunal de Shenzhen, no sul da China. A sentença também determinou a perda de todos os seus bens pessoais, além da suspensão de seus direitos políticos por toda a vida, conforme informou a agência estatal Xinhua. Hui, que também é conhecido pelo nome Xu Jiayin, foi considerado culpado de múltiplas acusações, entre elas fraude financeira, inflamento de ativos, ocultação de passivos, captação ilegal de depósitos públicos, fraude na captação de recursos e divulgação ilegal de informações relevantes.
A condenação ocorre em meio à grave crise financeira que assola a Evergrande, que já foi a maior incorporadora imobiliária da China. Desde 2021, a empresa enfrenta dificuldades financeiras extremas, acumulando cerca de 300 bilhões de dólares em dívidas, o que colocou o setor imobiliário do país sob forte pressão e contribuiu para um impacto negativo na economia chinesa, que é a segunda maior do mundo. A crise do grupo imobiliário é vista como um dos principais obstáculos de longo prazo para o crescimento econômico da China, refletindo uma bolha imobiliária que começou a se desfazer após anos de expansão acelerada.
A sentença do tribunal também impôs multas significativas ao grupo e à sua divisão de imóveis. A Evergrande Group foi multada em 8,82 bilhões de yuans, aproximadamente 1,23 bilhão de dólares, enquanto a divisão de imóveis, a Evergrande Real Estate, recebeu uma multa de 7 bilhões de yuans, cerca de 1,04 bilhão de dólares. Essas penalidades reforçam a gravidade das acusações e representam uma tentativa do governo chinês de reforçar o controle sobre o setor financeiro e imobiliário do país, que vive uma fase de instabilidade sem precedentes.
Hui Ka Yan, que construiu sua fortuna no setor imobiliário, formou-se na Universidade de Ciência e Tecnologia de Wuhan em 1982 e posteriormente recebeu um doutorado honorário em comércio pela Universidade do Oeste do Alabama, em 2008. Fundou a Evergrande em 1996, e em 2009 abriu o capital da empresa em Hong Kong, levantando aproximadamente 6 bilhões de dólares na oferta pública inicial. Em 2017, Hui foi considerado o homem mais rico da China, com um patrimônio avaliado em 43 bilhões de dólares na época, sendo comparado por alguns veículos de imprensa a Donald Trump, devido ao seu perfil de empreendedor que prosperou através de um modelo de negócios baseado em elevado volume de dívidas.
A condenação de Hui Ka Yan marca um capítulo importante na tentativa do governo chinês de reestruturar e regularizar o setor imobiliário, que vinha operando com práticas que agora são alvo de rigorosas punições legais. Além de representar uma punição pessoal ao empresário, a sentença evidencia o esforço do Estado em combater fraudes e práticas que ameaçam a estabilidade econômica do país, sobretudo diante do colapso de uma das maiores empresas do setor imobiliário chinês.